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el sabroso oficio / del dulce mirar Góngora - Wie schwer es ist, die Schönheit zu begreifen! Günter Eich

miércoles, 1 de julio de 2015

Chico Buarque - As vitrines





AS VITRINES

Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão
Dá tua mão
Olha pra mim
Não faz assim
Não vai lá não

Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir

Já te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar

Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo um salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão









Aquí, una versión muy posterior, grabada en directo.




(Fotografía de Petrus: Rua do Arsenal, Lisboa)



Romy Schneider de espaldas





Romy Schneider en 'Lo importante es amar'






*




Kirmen Uribe - Aquel día de julio





AQUEL DÍA DE JULIO

Me dirás que no es cierto, pero de vez en cuando parece
que el mundo se detiene. Que ha dejado de girar y,
por una vez amable con nosotros y como avisándonos,
nos prolonga ese preciso momento, por siempre.

Me dirás que soy un exagerado,
que las cosas de las que te te hablo no son tan importantes,
tan definitivas, comparadas con otras que pasaron.

Pero cuando aquella tarde de julio,
siendo aún joven, aún tímido,
vi a todos los de la casa jugando al fútbol en aquel prado,
lo mismo la niña más pequeña que los ancianos,
en aquél momento comprendí
que pronto algunos de nosotros,
y aquel lugar,
habrían desaparecido.

Aquél día no sucedió nada especial
pero aquel momento,
aquel día de abejas de leche y prados de cera
para mí será único siempre.

Kirmen Uribe



De su libro Mientras tanto cógeme la mano [Selección de poemas del libro Bitartean heldu eskutik y del libro-disco Zaharregia, txikiegia agian]. Edición bilingüe. Traducción de Kirmen Uribe, Gerardo Markuleta y Ana Arregui. Colección Visor de Poesía, 2010.




(Fotografía de Saúl Granda)





martes, 30 de junio de 2015

Elis Regina - Cadeira vazia




Elis Regina canta Cadeira vazia, una samba canción de 1950. ¿Quién se sienta en esta silla vacía? Ay, esa voz... Como não ficar de rastos?

Ha sido una casualidad. La última entrada del 30 de junio del año pasado fue Elis cantando Sentimental eu fico. ¡Viva Elis!



CADEIRA VAZIA

Entra, meu amor, fica à vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra, podes entrar, a casa é tua
Já te cansastes de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim
Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas triste
Que nem quero lembrar esse dia
Mas de uma coisa podes ter certeza
O teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia
Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que sou teu paizinho
Que há tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu
Voltaste, estás bem, fico contente
Mas me encontraste muito diferente
Vou te falar de todo coração

Eu não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar podes comer meu pão


Sobre esta canción de Lupicínio Rodrigues y Alcides Gonçalves, ver aquí.