el sabroso oficio / del dulce mirar

Góngora

viernes, 27 de marzo de 2015

Jussara Silveira - O sol enganador (tango russo)



Encontré "Sol enganador (tango russo)" en un disco del músico brasileño José Miguel Wisnik. Es una de las dos canciones del álbum de Wisnik, titulado São Paulo Rio (2000), que canta Jussara Silveira. La otra es "Terra estrangeira", bellísima composición e interpretación, que recomiendo vivamente a quien no la conozca. Ocho años después de haberla escuchado por primera vez, sigue emocionándome (Muito além ou aquém da saudade / sou ninguém ou alguém além da dor / que chegou até onde vai o mar e voltou, / encalhado no fado estou...).




“O sol enganador” (tema do filme homónimo de Mikhalkov) com “Efeito samba”, que um dia Wisnik (descendente de polacos) escreveu com Vadim Nitikin (russo que veio para o Brasil ainda bebé) e apresentou ao vivo na Polónia com Nestrovski (descendente de ucranianos). Tiveram que lhe mudar a letra, até porque não ficava bem cantar ali: “adeus meu Rio de Janeiro, eu vou me embora pra Moscou”. Ficou Polónia, claro. Por outro motivo ainda mais incrível: a música da primeira canção, que eles baptizaram como “tango russo”, era afinal um tradicional polaco. ("O admirável tempo sem tempo de Wisnik",  Público)







Jussara Silveira




Igor Stravinski visto por Arnold Newman



Igor Stravisnki retratado por Arnold Newman en Nueva York en 1946. Y consagremos la primavera...







Robert Louis Stevenson - Réquiem




RÉQUIEM

Bajo el abierto y estrellado cielo
cavad mi tumba para que repose.
Viví alegre y alegré moriré
sólo pidiendo un último deseo.
Grabad sobre la lápida estos versos:
«Aquí yace donde él quería estar;
de las montañas ha vuelto el cazador,
y el marinero al fin vuelve a casa».

Robert Louis Stevenson


Poemas (Robert Louis Stevenson). Selección y traducción de Carlos Pujol, La Veleta, Granada, 2000.




REQUIEM

Under the wide and starry sky
Dig the grave and let me lie:
Glad did I live and gladly die,
And I laid me down with a will.

This be the verse you 'grave for me:
Here he lies where he long'd to be;
Home is the sailor, home from the sea,
And the hunter home from the hill.





jueves, 26 de marzo de 2015

Sérgio Godinho - Feiticeira





FEITICEIRA

Ai, ai, nos teus olhos
as pestanas são aos molhos, aos molhos
ai, ai nos teus braços
as ternuras são aos maços, aos maços
ai, ai, nos teus olhos as pestanas
são aos molhos, aos molhos
e eu não as vejo faz semanas
nos teus olhos, teus olhos,
ai, ai, nos teus braços as ternuras
são aos maços, aos maços
faz já tempo que não me seguras
nos teus braços, teus braços

Ai, ai, ai feiticeira
ai, ai, ai feiticeira
cheira tão bem, sabe bem o teu feitiço
e de que maneira, e de que maneira
manda aí do teu feitiço
Isso!

Ai, ai na tua cama
é que o meu sonho se derrama, derrama
ai, ai, na tua rua
é que o meu passo desagua, desagua
ai na tua cama é que o meu sonho
se derrama, derrama
faz já muito dias que não o ponho
na tua cama, tua cama
ai, ai, na tua rua é que o meu passo
desagua, desagua
faz já meses que não o faço
passar na tua rua, tua rua

Ai, ai, ai feiticeira
ai, ai, feiticeira
cheira tão bem, sabe tão bem o teu feitiço
e de que maneira, e de que maneira
manda aí do teu feitiço
Isso!

Ai, ai, nos teus lábios
Os provérbios são mais sábios, mais sábios
E quem quer saber da vida bebe-os
Dos teus lábios, teus lábios
Ai, ai nas tuas veias
O amor anda às mãos cheias, mãos cheias
Ai, ai, na tua rua
É que o meu passo desagua, desagua
Ai, ai, na tua cama
é que o meu sonho se derrama, derrama
ai, ai nos teus braços
as ternuras são aos maços, aos maços
ai, ai nos teus olhos,
as pestanas são aos molhos, aos molhos



(Fotografía: Massimo Ankor - Flickr)




Dos fotos de Daniel Blaufuks




Daniel Blaufuks es un fotógrafo portugués nacido en 1963. Tenemos otra fotografía suya hace mucho tiempo en la parte lateral del blog:







Página de Daniel Blaufuks





lunes, 23 de marzo de 2015

Getz/Gilberto and more - O grande amor


Stan Getz, Gary Burton, Steve Swallow, Roy Haynes.1966


Y la versión original del tema O grande amor, compuesto por Antônio Carlos Jobim y Vinicius de Moraes, con Staz Getz al saxo también, por supuesto, y la voz, la guitarra y el duende de João Gilberto (1963).









Aníbal Núñez - "Bien que te gustaría confiésalo lanzarte..."





Bien que te gustaría confiésalo lanzarte...

Bien que te gustaría confiésalo lanzarte
de bruces al abismo devorar para siempre
esas terribles ganas que humedecen tus sueños
y en tus pechos habitan enjauladas...

Dale suelta a ese inmenso poder embalsamado
momia viviente abre las compuertas:
verás cómo florecen dos volcanes
en el lugar que el hielo
cerrara la clausura y perdiera la llave...
Encárate al ariete que reclama en tu puerta
la entrada por lo menos en cada primavera:
verás cómo te llenas de caballos salvajes
y de luz que produzcan tus turbinas de sangre...

Pero, antes, mastica la medalla
de dirección prohibida que cuelga de tu cuello.


Marzo, 1970

Aníbal Núñez