el sabroso oficio / del dulce mirar

Góngora

lunes, 2 de marzo de 2015

Juan Crisóstomo Lafinur - El amor




EL AMOR

Es llorar y es gozar; rabia y ternura;
delirio que a prudencia se parece;
una hoguera encendida que más crece
mientras más se resiste a la bravura.

Un amante es enfermo que no cura,
pero con sus mismas llagas se envanece;
la soledad le agrada y le entristece;
el tiempo es corto y largo, tarda y dura.

Se halla solo en la estancia concurrida;
si se le habla responde fastidiado;
no hay cosa que no vea parecida

al objeto que causa su cuidado.
¿Qué es el amor, se pregunta? Yo concluyo:
Vivir un alma en cuerpo que no es tuyo.

Juan Crisóstomo Lafinur


Juan Crisóstomo Lafinur (1797 - 1824), poeta, filósofo y educador argentino. Fue tío bisabuelo de Jorge Luis Borges.




(Vittorio Corcos, Retrato de mujer elegante. 1887)


domingo, 1 de marzo de 2015

Schneider y Delon






José Afonso - Endechas a Bárbara escrava



La letra de esta canción en un poema de la figura central de las letras portuguesas, Luís de Camões (c. 1524-c.1580); la música y la voz de José Afonso, el grande.



ENDECHAS A BÁRBARA ESCRAVA

Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

Uma graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E pois nela vivo,
É força que viva.

Luís de Camões









(Fotografía de MartiNe BarcelloS - Flickr)



viernes, 27 de febrero de 2015

Alphonse Mucha







Ná Ozzetti - João Valentão




JOÃO VALENTÃO

João Valentão é brigão
Pra dar bofetão
Não presta atenção
E nem pensa na vida
A todos João intimida
Faz coisas que até Deus duvida,
Mas tem seus momentos na vida...
É quando o sol vai quebrando
Lá pro fim do mundo
Pra noite chegar
É quando se houve mais forte
O ronco das ondas na beira do mar...
É quando o cansaço da lida da vida,
Obriga João se sentar...
É quando a morena se encolhe
E chega pro lado querendo agradar...
Se a noite é de lua,
A vontade é contar mentira
É se espreguiçar...
Deitar na areia da praia,
Que acaba onde a vista não pode alcançar...
E assim adormece esse homem
Que nunca precisa dormir pra sonhar,
Porque não há sonho mais lindo
do que sua terra, não há


Ná Ozzetti

De su álbum Show (2001)






(Ná Ozzetti en 2010. Fotografía: Acordes do Rádio)




"Debajo del limón..."





Debajo del limón
dormía la niña,
y sus pies en el agua fría.
Su amor por aí vendría:
–"¿Qué hasés, mi novia garridá?"
–"Asperando a vos, mi vidá,
lavando vuestra camisa
con jabón y lejía."
Debajo del limón, la niña,
su pies en al agua fría:
su amor por aí vendría.


(Recogido en Tetuán)



Del libro Poesía tradicional de los judíos españoles. Recopilación y prólogo de Manuel Alvar (Editorial Porrúa, México, 3ª edición, 1979)





(Fotografía de Stella Maris - Flickr)