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el sabroso oficio / del dulce mirar Góngora

domingo, 26 de abril de 2015

Sérgio Godinho y Teresa Salgueiro - Pode alguém ser quem não é




PODE ALGUÉM SER QUEM NÃO É

Senhora de preto
diga o que lhe dói
é dor ou saudade
que o peito lhe rói
o que tem, o que foi
o que dói no peito?
É que o meu homem partiu

Disse-me na praia
frente ao paredão
"tira a tua saia
dá-me a tua mão
o teu corpo, o teu mar
teu andar, teu passo
que vai sobre as ondas, vem"

Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?

Seja um bom agoiro
ou seja um bom presságio
sonhei com o choro
de alguém num naufrágio
não tenho confiança
já cansa este esperar
por uma carta em vão

"Por cá me governo"
escreveu-me então
"aqui é quase Inverno
aí quase Verão
mês d´Abril, águas mil
no Brasil também tem
noites de S. João e mar".

Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?

Mar a vir à praia
frente ao paredão
"tira a tua saia
dá-me a tua mão
o teu corpo, o teu mar
teu andar, teu passo
que vai sobre as ondas, vem"

Pode alguém ser livre
se outro alguém não é
a corda dum outro
serve-me no pé
nos dois punhos, nas mãos
no pescoço, diz-me:

Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?










(Praia do Gunga, Alagoas - Fotografía de Adriano Ferreira Rodrigues - Flickr)




sábado, 25 de abril de 2015

"Pelo 23º aniversário da morte de Salgueiro Maia"

Salgueiro Maia el 25 de abril de 1974 (Fotografía de Alfredo Cunha)




Pelo 23º aniversário da morte de Salgueiro Maia

O tempo faz esquecer. O tempo é malicioso. O tempo mata a memória. Salgueiro Maia não era um oficial crente nos amanhãs que cantam, dizem até que era conservador mas, perdoem-me o plebeísmo, “tinha-os no sítio”, estão a compreender! Para dar lume a uma revolução mais vale um conservador com “eles no sítio” do que um revolucionário desertor da coragem no momento da verdade. Mas, na verdade, todos os testemunhos confirmam que não era um conservador.

Quem fez triunfar a revolução não foi Ramalho Eanes, nem Spínola, nem Costa Gomes, não foi nenhum General estrelado pelo Antigo Regime, ou promovido administrativamente pelo novo, quem decidiu o triunfo da revolução foram os “capitães” e o povo, que alargaram à rua o posto de comando e que tomando a rua para si tudo decidiram.

E entre todos os heróis anónimos, foi a coragem serena de Salgueiro Maia naquele momento breve, na Rua do Arsenal, enfrentando o atirador do tanque da coluna de Junqueira dos Reis, fazendo-o desobedecer às ordens, que decidiu a sorte da revolução. É prudente que, para preservar a liberdade, a democracia - seguindo o exemplo de Salgueiro Maia - não vacile no combate aos seus inimigos.


Publicado por Eduardo Graça en su blog Absorto el pasado 4 de abril.


* * * * *


Salgueiro Maia en Vidas Lusófonas





José Afonso - Mulher da erva

"Canta a rola numa ramada..."


¡Qué maravilla ha sido volver a escuchar esta canción de José Afonso después de mucho tiempo! Que suene otra vez...


MULHER DA ERVA

Velha da terra morena
Pensa que é já lua cheia
Vela que a onda condena
Feita em pedaços na areia

Saia rota subindo a estrada
Inda a noite rompendo vem
A mulher pega na braçada
De erva fresca supremo bem

Canta a rola numa ramada
Pela estrada vai a mulher
Meu senhor nesta caminhada
Nem m'alembra do amanhecer

Há quem viva sem dar por nada
Há quem morra sem tal saber
Velha ardida velha queimada
Vende a fruta se queres comer

À noitinha a mulher alcança
Quem lhe compra do seu manjar
Para dar à cabrinha mansa
Erva fresca da cor do mar

Na calçada uma mancha negra
Cobriu tudo e ali ficou
Anda, velha da saia preta
Flor que ao vento no chão tombou

No Inverno terás fartura
Da erva fora supremo bem
Canta rola tua amargura
Manhã moça... nunca mais vem










(Fotografía: Rola turca 'Tórtola turca'. Autor: Mariano Martins)


El clavel rojo



El clavel rojo, O cravo vermelho, símbolo de la revolución del 25 de Abril. La fotografía es de Pedro Ribeiro Simões.





"Concentrações no dia 25 de Abril de 1974"



25 de Abril de 1974, Lisboa, Portugal
Concentração no Rossio.
Fotógrafo: Estúdio Horácio Novais.
Data da fotografia original: 25 de Abril de 1974.

(Biblioteca de Arte - Fundação Calouste Gulbenkian)







Concentração no Largo de Camões




"25 de Abril, sempre; Grândola, sempre"



00.20: O segundo sinal [Grândola, Vila Morena] também nos pregou um grande susto, na medida em que houve um problema com a emissão e o sinal. A Grândola não foi emitido à hora combinada, à meia-noite. Não sabíamos o que estava a acontecer. Só 20 minutos mais tarde ouvimos o sinal combinado. E causou-nos um grande sobressalto, porque era ele que tornava o movimento irreversível.

(Mas tivemos outros contratempos, mais tarde: cortaram-nos os telefones, cortaram-nos a energia – embora para isso estivéssemos preparados, por sabermos que o RCP tinha um gerador privado. Para os tefelones utizámos uma cabine pública que existia alí perto. Houve um atraso na chegada das tropas que deviam proteger o emissor de Porto Alto, que assegurava a emissão do RCP, o que esteve em vias de provocar, por ordem de alguém do Governo, o corte da emissão.)

O general (na altura major) Costa Neves liderou o grupo n.º 10 que ocupou o Rádio Clube Português


(Fuente)







viernes, 24 de abril de 2015

Maria Bethânia - Sonhei que estava um dia em Portugal





Sonhei que estava um dia em Portugal
À toa num carnaval em Lisboa
Meu sonho voa além da Poesia
E encontra o poeta em Pessoa

A lua mingua e a língua Lusitana
Acende a chama e a palavra Luzia
Na via pública e em forma de música:
Luzia das luzias das luzias

Anda Luzia, pega o pandeiro e vem pra o carnaval
Anda Luzia, essa tristeza lhe faz muito mal
Anda Luzia, pega o pandeiro e vem pra o carnaval
Anda Luzia, essa tristeza lhe faz muito mal





Varujan Vosganian - El libro de los susurros



En recuerdo del genocidio armenio, del que se cumplen 100 años en 2015, tenemos hoy este fragmento inicial de la novela El libro de los susurros, de Varujan Vosganian.



Yo soy, sobre todo, lo que no he podido realizar.
La más auténtica de las vidas que llevo, como un puñado de serpientes anudadas por un extremo, es la vida no vivida. Soy un hombre que ha vivido lo indecible en este mundo. Y que precisamente por eso no ha vivido.

Mis padres están vivos. Significa que yo todavía no he nacido del todo. Ellos todavía pulen poquito a poco mis hombros angulosos. Todavía vierten alma en mi pecho, que cambia su perfil, al igual que las ánforas de los antiguos griegos tomaban la forma del vino que se espesaba en su interior. Todavía retocan mi rostro cobrizo.
Como todavía no he nacido del todo, la muerte aún está lejos. Soy tan joven que podría amarla, como a una mujer hermosa.
Mi primer maestro fue un ángel viejo. Quien nos hubiese contemplado de lejos, al fondo del patio, habría visto a un niño sentado al pie de un gigantesco nogal. En realidad, yo me sentaba a los pies de aquel ángel viejo que era mi maestro. Su sombra olía a yodo y mis dedos, al escribir, se manchaban con sus sombras, como sangre cuajada. Todavía no sabía de quién era la herida, si mía o suya.
De él aprendí que el nombre no tiene ninguna utilidad. Ni siquiera el mío; había de escribirlo sin mayúsculas, como el nombre de un árbol o un animal. Entre nosotros nos comunicábamos sin palabras y eso estaba bien, era como correr descalzo por la yerba. No quedan huellas, por eso andar por la yerba no es pecado. Tiraba las sandalias y corría por el campo que bordeaba la ciudad. Su sombra se cernía sobre la mía y éramos felices.
Cierto día, el ángel viejo desapareció. Miré perplejo el nogal, su grueso tronco y las jugosas hojas. En las ramas se habían posado los pájaros. En otoño, el viento las había sacudido y las nueces habían caído al suelo. Les partí la cáscara y me las comí. Eran sabrosas. Comí de su cuerpo. Desde entonces ya no he vuelto a buscar al ángel viejo. Quedó solamente el olor a yodo y, algunas veces, aún veo huellas de una tonalidad entre negra y verdosa en los dedos. Señal de que,por debajo, la carne todavía no está curada.

El Focşani de mi infancia era una ciudad de calles anchas y casas imponentes. A medida que yo crecía, las calles se estrechaban y las casas encogían. Realmente, así había sido siempre pero mis ojos de niño les daban, como a todo, proporciones enormes válidas sólo para mí. En los cimientos de los edificios y en las pilastras de los porches no tendrían que haber puesto vigas de madera seca, sino troncos vivos. De esta manera, las casas habrían crecido a la vez que los hombres, el mundo no menguaría y el tiempo no se acortaría.
Pocas cosas han cambiado desde la Segunda Guerra Mundial hasta hoy. En nuestro barrio, al este de la ciudad, las calles sin adoquinar y las aceras, tres cuartos de lo mismo, se diferenciaban de la calzada por un bordillo de piedra de un palmo de alto. Las vallas eran de madera, a veces recién pintadas. Por regla general, los listones eran desiguales y se clavaban unos sobre otros, sin pintar o encalados. Al pie de las vallas crecía manzanilla, cuyas pequeñas y perfumadas flores recogíamos en otoño. La abuela las ponía en el patio a secar, para las tisanas curativas del invierno, igual que hacía con los albaricoques partidos por la mitad en verano y, algo más tarde, con las ciruelas y lasrodajas de manzana. Las frutas secas quitaban el hambre, pues se mascaban largo rato. Y si uno tenía paciencia para masticarlas lo suficiente, acababan sabiendo a carne.
Nuestra calle era corta. Tenía únicamente diez casas y, en la esquina, se alzaban los muros de una fábrica de hielo a la que denominábamos «Frigorífico». La calle se llamaba 6 de Marzo de 1945. En la placa se había añadido una explicación: Instauración del primer gobierno democrático. Tras la revolución de 1989, cuando a los del ayuntamiento no les pareció tan democrático el gobierno de 1945, se cambió el nombre de la calle a Jilişte por motivos que desconozco. Por aquel entonces envié una carta a casa. Llegó varios meses después. El correo la expidió primero, pues le pareció más cómodo, a la misma provincia deVrancea, pero al pueblo de Jilişte. La sangre corre más lenta que el tiempo. Por eso es tan difícil sacudirse de encima las costumbres. Más inspirada resultó otra denominación, a unas pocas manzanas de allí: calle Revoluţiei. Después de 1989 ese nombre permaneció inalterable.Cada cual pensó en la revolución que había sido de su agrado.
Cuando llovía, en nuestra calle confluían arroyuelos que desaguaban unos en otros. Aprendí la palabra que denominaba aquellos cauces donde, cuando el calor apretaba, la tierra se volvía fina como el polvo. Los cauces se llamaban «cunetas». Las cáscaras de nuez eran las naves que surcaban los arroyuelosrápidos de la cuneta. En ellas apelotonábamos cieno caliente como un amasijo y le clavábamos plumas de pavo a modo de mástiles



Varujan Vosganian (nacido en 1958) procede de una familia de origen armenio emigrada a Rumania desde el antiguo Imperio Otomano tras el genocidio de 1915 emprendido contra los armenios. Personalidad compleja, Varujan Vosganian es escritor, político, economista, matemático, profesor universitario y… pianista. Es el líder de la comunidad armenia de Rumania y primer vicepresidente de la Unión de Escritores de Rumania. Entre 2006 y 2008 fue ministro de Economía y Finanzas y, en los últimos veinte años, después de la caída del régimen comunista, ha sido miembro del Parlamento de Rumania, primero como diputado y en la actualidad como senador.

Datos de la Editorial Pre-Textos, 1ª ed., del libro en nuestro país, 2010.


Varujan Vosganian en la Wikipedia.







Balthus - Katia leyendo



En lisant Bataille:

Un peu après (ayant retrouvé nos bicyclettes), nous pouvions nous offrir l’un à l’autre le spectacle irritant, théoriquement sale, d’un corps nu et chaussé sur la machine. Nous pédalions rapidement, sans rire ni parler, dans l’isolement commun de l’impudeur, de la fatigue, de l’absurdité.
Nous étions morts de fatigue. Au milieu d’une côte Simone s’arrêta, prise de frissons. Nous ruisselions de sueur, et Simone grelottait, claquant des dents. Je lui ôtai alors un bas pour essuyer son corps : il avait une odeur chaude, celle des lits de malade et des lits de débauche. Peu à peu elle revint à un état moins pénible et m’offrit ses lèvres en manière de reconnaissance.
Je gardais les plus grandes inquiétudes. Nous étions encore à dix kilomètres de X… et, dans l’état où nous nous trouvions, il nous fallait à tout prix arriver avant l’aube. Je tenais mal debout, désespérant de voir la fin de cette randonnée dans l’impossible. Le temps depuis lequel nous avions quitté le monde réel, composé de personnes habillées, était si loin qu’il semblait hors de portée. Cette hallucination personnelle se développait cette fois avec la même absence de borne que le cauchemar global de la société humaine, par exemple, avec terre, atmosphère et ciel.
La selle de cuir se collait à nu au cul de Simone qui fatalement se branlait en tournant les jambes. Le pneu arrière disparaissait à mes yeux dans la fente du derrière nu de la cycliste. Le mouvement de rapide rotation de la roue était d’ailleurs assimilable à ma soif, à cette érection qui déjà m’engageait dans l’abîme du cul collé à la selle. Le vent était un peu tombé, une partie du ciel s’étoilait; il me vint à l’idée que la mort étant la seule issue de mon érection, Simone et moi tués, à l’univers de notre vision personnelle se substitueraient les étoiles pures, réalisant à froid ce qui me paraît le terme de mes débauches, une incandescence géométrique (coïncidence, entre autres, de la vie et de la mort, de l’être et du néant) et parfaitement fulgurante.





jueves, 23 de abril de 2015

Antonio Saura - Don Quijote








Cervantes - "Y así, fatigado de este pensamiento..."

(*)



Y así, fatigado de este pensamiento, abrevió su venteril y limitada cena, la cual acabada llamó al ventero, y encerrándose con él en la caballeriza, se hincó de rodillas ante él, diciéndole, no me levantaré jamás de donde estoy, valeroso caballero, fasta que la vuestra cortesía, me otorgue un don que pedirle quiero, el cual redundará en alabanza vuestra y en pro del género humano. El ventero que vió a su huésped a sus pies, y oyó semejantes razones, estaba confuso mirándole, sin saber qué hacerse ni decirle, y porfiaba con él que se levantase; y jamás quiso, hasta que le hubo de decir que él le otorgaba el don que le pedía. No esperaba yo menos de la gran magnificencia vuestra, señor mío, respondió D. Quijote; y así os digo que el don que os he pedido, y de vuestra liberalidad me ha sido otorgado, es que mañana, en aquel día, me habéis de armar caballero, y esta noche en la capilla de este vuestro castillo velaré las armas; y mañana, como tengo dicho, se cumplirá lo que tanto deseo, para poder, como se debe, ir por todas las cuatro partes del mundo buscando las aventuras en pro de los menesterosos, como está a cargo de la caballería y de los caballeros andantes, como yo soy, cuyo deseo a semejantes fazañas es inclinado. El ventero, que como está dicho, era un poco socarrón, y ya tenía algunos barruntos de la falta de juicio de su huésped, acabó de creerlo cuando acabó de oír semejantes razones, y por tener que reír aquella noche, determinó seguirle el humor; así le dijo que andaba muy acertado en lo qeu deseaba y pedía, y que tal prosupuesto era propio y natural de los caballeros tan principales como él parecía, y como su gallarda presencia mostraba, y que él ansimesmo, en los años de su mocedad se había dado a aquel honroso ejercicio, andando por diversas partes del mundo buscando sus aventuras, sin que hubiese dejado los percheles de Málaga, islas de Riarán, compás de Sevilla, azoguejo de Segovia, la olivera de Valencia, rondilla de Granada, playa de Sanlúcar, potro de Córdoba, y las ventillas de Toledo, y otras diversas partes donde había ejercitado la ligereza de sus pies y sutileza de sus manos, haciendo muchos tuertos, recuestando muchas viudas, deshaciendo algunas doncellas, y engañando a muchos pupilos, y finalmente, dándose a conocer por cuantas audiencias y tribunales hay casi en toda España; y que a lo último se había venido a recoger a aquel su castillo, donde vivía con toda su hacienda y con las ajenas, recogiendo en él a todos los caballeros andantes de cualquiera calidad y condición que fuesen, sólo por la mucha afición que les tenía, y porque partiesen con él de sus haberes en pago de su buen deseo. Díjole también que en aquel su castillo no había capilla alguna donde poder velar las armas, porque estaba derribada para hacerla de nuevo; pero en caso de necesidad él sabía que se podían velar donde quiera, y que aquella noche las podría velar en un patio del castillo; que a la mañana, siendo Dios servido, se harían las debidas ceremonias de manera que él quedase armado caballero, y tan caballero que no pudiese ser más en el mundo.


Miguel de Cervantes


Fragmento del capítulo III de la primera parte de El Quijote




miércoles, 22 de abril de 2015

Coleman Hawkins - April in Paris




Coleman Hawkins grabó esta versión de April in Paris el 11 de diciembre de 1947.











(Fotografía: Le Pont Neuf,  Boccacino - Flickr)