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el sabroso oficio / del dulce mirar GóngoraWie schwer es ist, die Schönheit zu begreifen! Günter Eich

domingo, 30 de junio de 2013

Carlos do Carmo - Fado do Campo Grande


Siendo Um homem na cidade (1977) un disco impecable, colaboración del poeta Ary dos Santos en las letras y de Carlos do Carmo en la voz, sin olvidarnos de los músicos, Raúl Nery, António Chaínho, Martinho d'Assunção y José Maria Nóbrega, y admirándose uno de tanta buena canción, confiesa que este "Fado do Campo Grande" le es especialmente querido. Beleza pura. Como dicen los portugueses, de chorar e pedir por mais!

Va por ti, Paco, que lo disfrutes à beira-mar.


«Um Homem Na Cidade»: a obra-prima de Carlos do Carmo e Ary dos Santos


FADO DO CAMPO GRANDE

A minha velha casa,
por mais que eu sofra e ande,
é sempre um golpe de asa,
varrendo um Campo Grande.

Aqui no meu pais,
por mais que a minha ausência doa,
é que eu sei que a raiz de mim
está em Lisboa.

A minha velha casa
resiste no meu corpo,
e arde como brasa
dum corpo nunca morto.

À minha velha casa
eu regresso à procura
das origens da ternura,
onde o meu ser perdura.

Amiga amante,
amor distante.
Lisboa é perto,
e não bastante.
Amor calado,
amor avante,
que faz do tempo
apenas um instante.
Amor dorido,
amor magoado
e que me dói no fado.
Amor magoado, amor sentido,
mas jamais cansado.
Amor vivido
meu amor amado.

Um braço é a tristeza,
o outro é a saudade,
e as minhas mãos abertas
são chão da liberdade.

A casa a que eu pertenço,
viagem para à minha infância,
é o espaço em que eu venço
e o tempo da distância.

E volto à minha casa,
porque a esperança resiste
a tudo quanto arrasa
um homem que for triste.

Lisboa não se cala,
e quando fala é minha chama,
meu castelo, minha Alfama,
minha pátria, minha cama.

Amiga amante,
amor distante. (...)

Ai, Lisboa, como eu quero,
é por ti que eu desespero.






Fotografía de Helena Borges



2 comentarios:

Manuel Marcos dijo...

Qué hermosura de canción, venir aquí a escuchar un día una canción es magnífico. Un abrazo.

Luis Leal dijo...

É FADISTA!!!!
Isso é o que se pode dizer deste gradíssimo sr. Carlos do Carmo! O homem que me fez gostar deste género!
Abração!