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el sabroso oficio / del dulce mirar GóngoraWie schwer es ist, die Schönheit zu begreifen! Günter Eich

viernes, 25 de abril de 2014

Así empezó el 25 de Abril: 'E depois do adeus'




Cuarenta años, qué vértigo. ¿Dónde estabas el 25 de abril de 1974?

Mucha gente piensa que la revolución del 25 de abril de 1974, que trajo la democracia a Portugal, comenzó con Grândola, vila morena, de José Afonso. Cuando sonó esta canción en aquella madrugada, significaba que ya no había marcha atrás: las tropas debían salir de los cuarteles. Pero, antes, sonó otra canción en la emisora Rádio Renascença: E depois do adeus.


"E Depois do Adeus" foi a canção que serviu de primeira senha à revolução de 25 de Abril de 1974. Com letra de José Niza e música de José Calvário, a canção foi escrita para ser interpretada por Paulo de Carvalho na 12.ª edição do Festival RTP da Canção, do qual sairia vencedora. Nessa qualidade, representaria Portugal em Brighton, a 6 de Abril, no Festival Eurovisão da Canção 1974, terminando em último lugar, com apenas 3 pontos, ex aequo com as canções da Alemanha, Suíça e Noruega.

A questão das duas senhas do 25 de Abril

Com a transmissão de "E Depois do Adeus", pelos Emissores Associados de Lisboa às 22h55m do dia 24 de Abril de 1974, era dada a ordem para as tropas se prepararem e estarem a postos. O efectivo sinal de saída dos quartéis, posterior a este, seria a emissão, pela Rádio Renascença, de "Grândola, Vila Morena" de Zeca Afonso.

A razão da escolha de "E Depois do Adeus" é clara: não tendo conteúdo político e sendo uma música em voga na altura, não levantaria suspeitas, podendo a revolução ser cancelada se os líderes do MFA concluíssem que não havia condições efectivas para a sua realização. A posterior radiodifusão, na emissora católica, de uma música claramente política de um autor proscrito daria a certeza aos revoltosos de que já não havia volta atrás, que a revolução era mesmo para arrancar.

(Wikipédia)



E DEPOIS DO ADEUS

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós



Aquí José Afonso canta Grândola, vila morena en el último concierto que dio en Lisboa en 1983. También puede escucharse la versión del disco.





3 comentarios:

Paco Campos dijo...

...cuánto tiempo ya! Y aquí seguimos, "soportando los adverbios", como diría Gerardo Diego

Paco

Salamandrágora dijo...

Pues no lo sabía. Siempre se aprende en este blog, además de disfrutar de bellas entradas. Gracias por tanta belleza que compartes.

Un abrazo.

El transcriptor dijo...

Me acojo al verso de Diego, Paco; no sé si añadir los adjetivos...

Bom dia, amiga Salamandrágora, pelo sim, pelo não,te dejo este enlace por si no lo viste en su día, ya que apareces en él:

http://lo-bueno-si-breve.blogspot.com.es/2014/02/joao-guimaraes-rosa-terceira-margem-do.html

Unha aperta para os dois,

Pedro