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el sabroso oficio / del dulce mirar GóngoraWie schwer es ist, die Schönheit zu begreifen! Günter Eich

domingo, 1 de junio de 2014

Fausto + Né Ladeiras - Eu tenho um fraquinho por ti




Aquí está el amigo Fausto, por primera vez, con una canción de su Histórias de viageiros, álbum con el que descubrí en su día a este cantante portugués. Un disco excelente de principio a fin.

Por otra parte, Né Ladeiras. Es una pena que sea tan poco conocida con esa voz... En 1997 grabó un disco  con canciones de Fausto titulado Todo este céu. Así podemos comparar hoy dos versiones de "Eu tenho un fraquinho por ti" ('Tengo una debilidad por ti'). La letra de Ladeiras está adaptada al punto de vista femenino.

Aprovechando la presencia de Né Ladeiras, por qué no volver a escuchar una canción de su disco Da minha voz (2001), "Sinhô". Bonita, bonita, bonita... No tardará en volver Né Ladeiras por estos pagos.



EU TENHO UM FRAQUINHO POR TI

Eu tenho um fraquinho por ti
tu não me dás atenção
tu não me passas cartão
quando me ponho a teu lado
tremo nervoso de agrado
e meto os pés pelas mãos
tu vais gozando um bocado
a beber vinho tostão
eu com o discurso engasgado
fico a um canto, que arrelia
de toda a cervejaria
onde vais rasgar a noite
se te olho com ternura
olhas-me do alto da burra
que mais parece um açoite
é um susto um arrepio
que me malha em ferro frio.

Eu tenho um fraquinho por ti
que me vai de lés a lés
tu dás-me sempre com os pés
quando me atiro enamorado
num estilo desajeitado
disfarço em bagaço e café
tu fumas o teu cruzado
e fazes troça, pois é,
já tenho o caldo entornado
esqueces-me da noite p´ro dia
em alegre companhia
de batidas e rodadas
tu ficas nas sete quintas
marimbas, estás-te nas tintas
p´ra que eu ande às três pancadas
basta um toque sedutor
eu cá sou um pinga-amor.

Eu tenho um fraquinho por ti
que me abrasa o coração
quase me arrasa a razão
a tua risada rasteira
põe-me de rastos, à beira
do enfarte da congestão
encharco-me em chá de cidreira
mofas de mim atiras-te ao chão
zombando à tua maneira
lá fazes a despedida
ao grupo que vai de saída
dos amigos da Trindade
mas no fim da noite, à noitinha,
tu ficas triste e sozinha
à procura de amizade
e como é costume teu
chamas o parvo que sou eu.

Afino uma voz de tenor
ensaio um ar duro de macho
quando estás na mó de baixo
quero ver-te arrependida
mas numa manobra atrevida
rufia, muito mansinha,
dás-me um beijo e uma turrinha
que me põe num molho num cacho
estremeço com pele de galinha
e gosto de ti trapaceira
da tua piada certeira
do teu aparte final
do teu jeito irreverente
do teu aspecto contente
do teu modo bestial
noutra palavra mais quente
eu tenho um fraquinho por ti.







Cervejaria da Trindade, en Lisboa  (Fotografía de Pedro y Sergio)



2 comentarios:

Paco Campos dijo...

Nunca é tarde se a dita é boa...

Por cierto, melodiosa voz la de la señorita Ladeiras. Tampoco conocía ese disco enteramente dedicado a Fausto.

"Histórias de viageiros": "...lá ven a nao Catrineta que tem muito que contar..." (lembranzas)

Paco

El transcriptor dijo...

Pois é, pois é, Paco. Una maravilla, como su "Da minha voz".

Ya hablamos.

Unha aperta