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el sabroso oficio / del dulce mirar GóngoraWie schwer es ist, die Schönheit zu begreifen! Günter Eich

domingo, 30 de noviembre de 2014

Fernando Pessoa mais Álvaro de Campos



Fernando Pessoa murió un 30 de noviembre de 1935, a los 47 años, y aparte de un libro publicado en vida (Mensagem) y un gran número de poemas en revistas, dejó un arca con 30000 hojas para dar trabajo en el futuro a los estudiosos de su obra.


Não me digas mais nada. O resto é a vida.
Sob onde a uva está amadurecida.
Moram meus sonos, que não querem nada.
Que é o mundo? Uma ilusão vista e sentida.

Sob os ramos que falam com o vento,
Inerte, abdico do meu pensamento.
Tenho esta hora e o ócio que está nela.
Levem o mundo: deixem-me o momento!

Se vens, esguia e bela, deitar o vinho
Em meu copo vazio, eu, mesquinho
Ante o que sonho, morto te agradeço
Que não sou para mim mais do que um vizinho.

Quando a jarra que trazes aparece
Sobre meu ombro e a sua curva desce
A deitar vinho, sonho-te, e, sem ver-te,
Por teu braço teu corpo me apetece.

Não digas nada que tu creias. Fala
Como a cigarra canta. Nada iguala
O ser um sonho pequeno entre os rumores
Com que este mundo [...]

A vida é terra e o vivê-la é lodo.
Tudo é maneira, diferença ou modo.
Em tudo quando faças sê só tu,
Em tudo quanto faças sê tu todo.

Fernando Pessoa (ele mesmo)



NB. Manuscrito fechado el 12 de septiembre de 1935. Falta por rematar un verso. (v. As canções de beber de Fernando Pessoa)


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APONTAMENTO

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem porque ficou ali.

Álvaro de Campos


Es difícil escoger, pero... Os 10 melhores poemas de Fernando Pessoa,





3 comentarios:

Paco Campos dijo...

"O ser um sonho pequeno entre os rumores
Com que este mundo."
Creo que aquí falta algo.

Por otra parte
"Levem o mundo: deixem-me o momento!", magnífico verso pessoano

Paco

El transcriptor dijo...

Un "error de edición", Paco. No sé si has visto la nota que he añadido. Gracias.

Concordo contigo, excelente verso. Hay tanto en Pessoa...


Anónimo dijo...



Me repito, (otra debilidad) pero ciertamente en Pessoa hay mucho, dice mucho y hace sentir más todavía.

María