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el sabroso oficio / del dulce mirar GóngoraWie schwer es ist, die Schönheit zu begreifen! Günter Eich

sábado, 14 de febrero de 2015

"os desgraçados que usam oculos teem o soslaio imperfeito"



En septiembre de 1929, Carlos Queirós, amigo de Fernando Pessoa y sobrino de Ofélia Queirós (Ophélia Queiroz) con quien el poeta había mantenido una relación amorosa años atrás, testimoniada por una serie de cartas, recibe una fotografía de Pessoa bebiendo en el mostrador del famoso establecimiento Abel Pereira da Fonseca. Ofélia manifiesta su interés en tener una copia, que recibe del mismo con la dedicatoria: "Fernando Pessoa em flagrante delitro". Vuelven de nuevo las cartas, una de las cuales es ésta, que se reproduce tal y como la escribió el poeta portugués; y retoman brevemente la relación.



Ophelinha:

Gostei do coração da sua carta, e realmente não vejo que a photographia de qualquer meliante, ainda que esse meliante seja o irmão gemeo que não tenho, forme motivo para agradecimento. Então uma sombra bebada occupa logar nas lembranças?

Ao meu exilio, que sou eu mesmo, a sua carta chegou como uma alegria lá de casa, e sou eu que tenho que agradecer, pequenina.

Já agora uso a occasião e peço-lhe desculpa de trez coisas, que são a mesma coisa, e de que não tive a culpa. Por trez vezes a encontrei e a não cumprimentei, porque a não vi bem ou, antes, a tempo. Uma vez foi já ha muito, na Rua do Ouro e á noite; ia a Ophelinha com um rapaz que suppuz seu noivo, ou namorado, mas realmente não sei se era o que era justo que fosse. As duas outras foram recentes, e no carro em que ambos seguiamos no sentido que acaba na Estrella. Vi-a, uma das vezes, só de soslaio, e os desgraçados que usam oculos teem o soslaio imperfeito.

Outra coisa... Não, não é nada, bocca doce

Fernando

11/9/1929


Ophélia Queiroz



Wikipédia


Casa Fernando Pessoa - Cartas (no sólo las cartas a Ofélia)


As cartas de Ofélia e de um senhor que não era como os outros (Público, 16-06-2013):

«Esta edição tem ainda um relato de Ofélia Queiroz, registado em 1978 pela sua sobrinha-neta, Maria da Graça Queiroz, que no livro também evoca num texto a sua tia-avó. E inclui um prefácio de Eduardo Lourenço, Amor e Literatura. Quando Bia Corrêa do Lago pediu ao ensaísta português para escrever o prefácio, ele respondeu: "Você está me pedindo para eu escrever sobre o calcanhar de Aquiles do meu herói, Fernando Pessoa?" Para Eduardo, essas cartas não são literatura, mas esse calcanhar de Aquiles, por outro lado, é também o lado de fragilidade que humaniza o poeta. "Pessoa aqui comporta-se como qualquer outro ser humano que pensa que está apaixonado, pelo menos durante algum tempo, que me parece ter uma relação muito carinhosa com esta Ofélia, mesmo que desde as primeiras cartas ela tenha a percepção de que aquele senhor não era um senhor como os outros", explica o professor, para quem Ofélia entra num jogo criado por Pessoa e pelas suas ficções heterónimas, é "uma personagem à força dessa comédia jogada com outro".»




1 comentario:

Anónimo dijo...



Solamente puedo decir...:totalmente rendida a esa fascinación enigmática del Gran Pessoa.

Gracias por traerlo una vez más Pedro, sus palabras en portugués, suenan mejor y más íntimas que en castellano.

Una buena música y Pessoa, inmejorable plan para este domingo nostálgico...

Bicos,

María