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el sabroso oficio / del dulce mirar Góngora – ¡Qué difícil es entender la belleza! Günter Eich

jueves, 30 de abril de 2015

John Coltrane + McCoy Tyner - Theme for Ernie




No hace falta que sea el Día Internacional del Jazz para escuchar aquí esta música, pero, bueno, celebrémoslo con un excelente tema de John Coltrane y una versión en trío de su fiel McCoy Tyner.




* * * * * * * *





Lluis Llach - Laura




LAURA

I avui que et puc fer una cançó
recordo quan vas arribar
amb el misteri dels senzills,
els ulls inquiets, el cos altiu;
i amb la rialla dels teus dits
vares omplir els meus acords
amb cada nota del teu nom, Laura.

M’és tan difícil recordar
quants escenaris han sentit
la nostra angoixa per l’avui,
la nostra joia pel demà...
A casa enmig de tants companys,
o a un trist exili mar enllà,
mai no ha mancat el teu alè, Laura.

I si l’atzar et porta lluny,
que els déus et guardin el camí,
que t’acompanyin els ocells,
que t’acaronin els estels;
i en un racó d’aquesta veu,
mentre la pugui fer sentir,
hi haurà amagat sempre el teu so, Laura.

Lluis Llach

* * *

LAURA


Y hoy que puedo escribirte una canción
recuerdo cuando llegaste
con el misterio de los sencillos,
inquietos los ojos, el cuerpo altivo.
Con la sonrisa de tus dedos
llenaste mis acordes
con cada nota de tu nombre, Laura.


Me es muy difícil recordar
cuantos escenarios han vivido
nuestra angustia por el hoy,
nuestra alegría por el mañana...
En casa, entre tantos compañeros,
o en un triste exilio allende el mar
nunca ha faltado tu aliento, Laura.


Y si el azar te lleva lejos
que los dioses guarden tu camino,
que te acompañen los pájaros,
que te acaricien las estrellas.
Y en un rincón de esta voz
mientras pueda hacerla oír
siempre estará escondido tu sonido, Laura.



La letra en el catalán original y la versión en castellano proceden de la web oficial de Lluis Llach (© Edicions l’Empordà)



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(Fotografía de Lou Noble - Flickr)




Jan van Huysun - Una amapola









miércoles, 29 de abril de 2015

Una foto de Manuel Archain










Una obra de Girolamo da Benvenuto



Pocos datos hay sobre el pintor Girolamo di Benvenuto, que nació en Siena en 1570 y murió en la misma ciudad en 1624.

Este retrato, pintado en torno a 1508, se encuentra en la Galería nacional de Arte de Washington.


Más obras suyas en Wikimedias Commons.





martes, 28 de abril de 2015

lunes, 27 de abril de 2015

Scriabin - Estudio en re sostenido menor, Op. 8, Núm. 12




Aleksandr Nikoláyevich Scriabin (Александр Николаевич Скрябин, Moscú, 6 de enero de 1872 - Moscú, 27 de abril de 1915) fue un compositor y pianista ruso, considerado uno de los mayores exponentes del postromanticismo y el atonalismo libre.




John Berger - Viaje




VIAJE

Un marinero recibe una carta
que ha recorrido mil verstas.
Su mujer le escribe
que en la casa
sobre el acantilado
es feliz

Y de la carta es este es
durante noches con muchachas
en puertos intraducibles
por el mar de los meses
lo que convence al blasfemo marinero
de que su interminable viaje
va a tener fin

John Berger


Traducción de Pilar Vázquez


Poesía [1955-2008] (John Berger). Ediciones Círculo de Bellas Artes, 2014 [Edición bilingüe, que incluye un CD con los poemas recitados por el autor]



VOYAGE

A sailor receives a letter
from a thousand versts away.
His wife has written
that in their house
beyond the cliffs
she is happy.

And this is of her letter
during evenings with girls
in untranslatable ports,
through the sea of the months
persuades the cursing sailor
that his never-ending voyage
will end.



(Ilustración de Yoda Navarrete, Lady Orlando)

domingo, 26 de abril de 2015

Sérgio Godinho y Teresa Salgueiro - Pode alguém ser quem não é




PODE ALGUÉM SER QUEM NÃO É

Senhora de preto
diga o que lhe dói
é dor ou saudade
que o peito lhe rói
o que tem, o que foi
o que dói no peito?
É que o meu homem partiu

Disse-me na praia
frente ao paredão
"tira a tua saia
dá-me a tua mão
o teu corpo, o teu mar
teu andar, teu passo
que vai sobre as ondas, vem"

Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?

Seja um bom agoiro
ou seja um bom presságio
sonhei com o choro
de alguém num naufrágio
não tenho confiança
já cansa este esperar
por uma carta em vão

"Por cá me governo"
escreveu-me então
"aqui é quase Inverno
aí quase Verão
mês d´Abril, águas mil
no Brasil também tem
noites de S. João e mar".

Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?

Mar a vir à praia
frente ao paredão
"tira a tua saia
dá-me a tua mão
o teu corpo, o teu mar
teu andar, teu passo
que vai sobre as ondas, vem"

Pode alguém ser livre
se outro alguém não é
a corda dum outro
serve-me no pé
nos dois punhos, nas mãos
no pescoço, diz-me:

Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?
Pode alguém ser quem não é?










(Praia do Gunga, Alagoas - Fotografía de Adriano Ferreira Rodrigues - Flickr)


sábado, 25 de abril de 2015

"Pelo 23º aniversário da morte de Salgueiro Maia"

Salgueiro Maia el 25 de abril de 1974 (Fotografía de Alfredo Cunha)




Pelo 23º aniversário da morte de Salgueiro Maia

O tempo faz esquecer. O tempo é malicioso. O tempo mata a memória. Salgueiro Maia não era um oficial crente nos amanhãs que cantam, dizem até que era conservador mas, perdoem-me o plebeísmo, “tinha-os no sítio”, estão a compreender! Para dar lume a uma revolução mais vale um conservador com “eles no sítio” do que um revolucionário desertor da coragem no momento da verdade. Mas, na verdade, todos os testemunhos confirmam que não era um conservador.

Quem fez triunfar a revolução não foi Ramalho Eanes, nem Spínola, nem Costa Gomes, não foi nenhum General estrelado pelo Antigo Regime, ou promovido administrativamente pelo novo, quem decidiu o triunfo da revolução foram os “capitães” e o povo, que alargaram à rua o posto de comando e que tomando a rua para si tudo decidiram.

E entre todos os heróis anónimos, foi a coragem serena de Salgueiro Maia naquele momento breve, na Rua do Arsenal, enfrentando o atirador do tanque da coluna de Junqueira dos Reis, fazendo-o desobedecer às ordens, que decidiu a sorte da revolução. É prudente que, para preservar a liberdade, a democracia - seguindo o exemplo de Salgueiro Maia - não vacile no combate aos seus inimigos.


Publicado por Eduardo Graça en su blog Absorto el pasado 4 de abril.


* * * * *


Salgueiro Maia en Vidas Lusófonas





José Afonso - Mulher da erva

"Canta a rola numa ramada..."


¡Qué maravilla ha sido volver a escuchar esta canción de José Afonso después de mucho tiempo! Que suene otra vez...


MULHER DA ERVA

Velha da terra morena
Pensa que é já lua cheia
Vela que a onda condena
Feita em pedaços na areia

Saia rota subindo a estrada
Inda a noite rompendo vem
A mulher pega na braçada
De erva fresca supremo bem

Canta a rola numa ramada
Pela estrada vai a mulher
Meu senhor nesta caminhada
Nem m'alembra do amanhecer

Há quem viva sem dar por nada
Há quem morra sem tal saber
Velha ardida velha queimada
Vende a fruta se queres comer

À noitinha a mulher alcança
Quem lhe compra do seu manjar
Para dar à cabrinha mansa
Erva fresca da cor do mar

Na calçada uma mancha negra
Cobriu tudo e ali ficou
Anda, velha da saia preta
Flor que ao vento no chão tombou

No Inverno terás fartura
Da erva fora supremo bem
Canta rola tua amargura
Manhã moça... nunca mais vem










(Fotografía: Rola turca 'Tórtola turca'. Autor: Mariano Martins)

El clavel rojo



El clavel rojo, O cravo vermelho, símbolo de la revolución del 25 de Abril. La fotografía es de Pedro Ribeiro Simões.





"Concentrações no dia 25 de Abril de 1974"



25 de Abril de 1974, Lisboa, Portugal
Concentração no Rossio.
Fotógrafo: Estúdio Horácio Novais.
Data da fotografia original: 25 de Abril de 1974.

(Biblioteca de Arte - Fundação Calouste Gulbenkian)







Concentração no Largo de Camões




"25 de Abril, sempre; Grândola, sempre"



00.20: O segundo sinal [Grândola, Vila Morena] também nos pregou um grande susto, na medida em que houve um problema com a emissão e o sinal. A Grândola não foi emitido à hora combinada, à meia-noite. Não sabíamos o que estava a acontecer. Só 20 minutos mais tarde ouvimos o sinal combinado. E causou-nos um grande sobressalto, porque era ele que tornava o movimento irreversível.

(Mas tivemos outros contratempos, mais tarde: cortaram-nos os telefones, cortaram-nos a energia – embora para isso estivéssemos preparados, por sabermos que o RCP tinha um gerador privado. Para os tefelones utizámos uma cabine pública que existia alí perto. Houve um atraso na chegada das tropas que deviam proteger o emissor de Porto Alto, que assegurava a emissão do RCP, o que esteve em vias de provocar, por ordem de alguém do Governo, o corte da emissão.)

O general (na altura major) Costa Neves liderou o grupo n.º 10 que ocupou o Rádio Clube Português


(Fuente)







viernes, 24 de abril de 2015

Maria Bethânia - Sonhei que estava um dia em Portugal





Sonhei que estava um dia em Portugal
À toa num carnaval em Lisboa
Meu sonho voa além da Poesia
E encontra o poeta em Pessoa

A lua mingua e a língua Lusitana
Acende a chama e a palavra Luzia
Na via pública e em forma de música:
Luzia das luzias das luzias

Anda Luzia, pega o pandeiro e vem pra o carnaval
Anda Luzia, essa tristeza lhe faz muito mal
Anda Luzia, pega o pandeiro e vem pra o carnaval
Anda Luzia, essa tristeza lhe faz muito mal





Marianne Faithfull - As tears go by x 2




As tears go by fue compuesta por Mick Jagger y Keith Richards y la acabó cantando Marianne Faithfull. Aquí tenemos dos directos muy separados en el tiempo.

La versión más antigua ya había aparecido aquí hace unos años.









Varujan Vosganian - El libro de los susurros



En recuerdo del genocidio armenio, del que se cumplen 100 años en 2015, tenemos hoy este fragmento inicial de la novela El libro de los susurros, de Varujan Vosganian.



Yo soy, sobre todo, lo que no he podido realizar.
La más auténtica de las vidas que llevo, como un puñado de serpientes anudadas por un extremo, es la vida no vivida. Soy un hombre que ha vivido lo indecible en este mundo. Y que precisamente por eso no ha vivido.

Mis padres están vivos. Significa que yo todavía no he nacido del todo. Ellos todavía pulen poquito a poco mis hombros angulosos. Todavía vierten alma en mi pecho, que cambia su perfil, al igual que las ánforas de los antiguos griegos tomaban la forma del vino que se espesaba en su interior. Todavía retocan mi rostro cobrizo.
Como todavía no he nacido del todo, la muerte aún está lejos. Soy tan joven que podría amarla, como a una mujer hermosa.
Mi primer maestro fue un ángel viejo. Quien nos hubiese contemplado de lejos, al fondo del patio, habría visto a un niño sentado al pie de un gigantesco nogal. En realidad, yo me sentaba a los pies de aquel ángel viejo que era mi maestro. Su sombra olía a yodo y mis dedos, al escribir, se manchaban con sus sombras, como sangre cuajada. Todavía no sabía de quién era la herida, si mía o suya.
De él aprendí que el nombre no tiene ninguna utilidad. Ni siquiera el mío; había de escribirlo sin mayúsculas, como el nombre de un árbol o un animal. Entre nosotros nos comunicábamos sin palabras y eso estaba bien, era como correr descalzo por la yerba. No quedan huellas, por eso andar por la yerba no es pecado. Tiraba las sandalias y corría por el campo que bordeaba la ciudad. Su sombra se cernía sobre la mía y éramos felices.
Cierto día, el ángel viejo desapareció. Miré perplejo el nogal, su grueso tronco y las jugosas hojas. En las ramas se habían posado los pájaros. En otoño, el viento las había sacudido y las nueces habían caído al suelo. Les partí la cáscara y me las comí. Eran sabrosas. Comí de su cuerpo. Desde entonces ya no he vuelto a buscar al ángel viejo. Quedó solamente el olor a yodo y, algunas veces, aún veo huellas de una tonalidad entre negra y verdosa en los dedos. Señal de que,por debajo, la carne todavía no está curada.

El Focşani de mi infancia era una ciudad de calles anchas y casas imponentes. A medida que yo crecía, las calles se estrechaban y las casas encogían. Realmente, así había sido siempre pero mis ojos de niño les daban, como a todo, proporciones enormes válidas sólo para mí. En los cimientos de los edificios y en las pilastras de los porches no tendrían que haber puesto vigas de madera seca, sino troncos vivos. De esta manera, las casas habrían crecido a la vez que los hombres, el mundo no menguaría y el tiempo no se acortaría.
Pocas cosas han cambiado desde la Segunda Guerra Mundial hasta hoy. En nuestro barrio, al este de la ciudad, las calles sin adoquinar y las aceras, tres cuartos de lo mismo, se diferenciaban de la calzada por un bordillo de piedra de un palmo de alto. Las vallas eran de madera, a veces recién pintadas. Por regla general, los listones eran desiguales y se clavaban unos sobre otros, sin pintar o encalados. Al pie de las vallas crecía manzanilla, cuyas pequeñas y perfumadas flores recogíamos en otoño. La abuela las ponía en el patio a secar, para las tisanas curativas del invierno, igual que hacía con los albaricoques partidos por la mitad en verano y, algo más tarde, con las ciruelas y lasrodajas de manzana. Las frutas secas quitaban el hambre, pues se mascaban largo rato. Y si uno tenía paciencia para masticarlas lo suficiente, acababan sabiendo a carne.
Nuestra calle era corta. Tenía únicamente diez casas y, en la esquina, se alzaban los muros de una fábrica de hielo a la que denominábamos «Frigorífico». La calle se llamaba 6 de Marzo de 1945. En la placa se había añadido una explicación: Instauración del primer gobierno democrático. Tras la revolución de 1989, cuando a los del ayuntamiento no les pareció tan democrático el gobierno de 1945, se cambió el nombre de la calle a Jilişte por motivos que desconozco. Por aquel entonces envié una carta a casa. Llegó varios meses después. El correo la expidió primero, pues le pareció más cómodo, a la misma provincia deVrancea, pero al pueblo de Jilişte. La sangre corre más lenta que el tiempo. Por eso es tan difícil sacudirse de encima las costumbres. Más inspirada resultó otra denominación, a unas pocas manzanas de allí: calle Revoluţiei. Después de 1989 ese nombre permaneció inalterable.Cada cual pensó en la revolución que había sido de su agrado.
Cuando llovía, en nuestra calle confluían arroyuelos que desaguaban unos en otros. Aprendí la palabra que denominaba aquellos cauces donde, cuando el calor apretaba, la tierra se volvía fina como el polvo. Los cauces se llamaban «cunetas». Las cáscaras de nuez eran las naves que surcaban los arroyuelosrápidos de la cuneta. En ellas apelotonábamos cieno caliente como un amasijo y le clavábamos plumas de pavo a modo de mástiles



Varujan Vosganian (nacido en 1958) procede de una familia de origen armenio emigrada a Rumania desde el antiguo Imperio Otomano tras el genocidio de 1915 emprendido contra los armenios. Personalidad compleja, Varujan Vosganian es escritor, político, economista, matemático, profesor universitario y… pianista. Es el líder de la comunidad armenia de Rumania y primer vicepresidente de la Unión de Escritores de Rumania. Entre 2006 y 2008 fue ministro de Economía y Finanzas y, en los últimos veinte años, después de la caída del régimen comunista, ha sido miembro del Parlamento de Rumania, primero como diputado y en la actualidad como senador.

Datos de la Editorial Pre-Textos, 1ª ed., del libro en nuestro país, 2010.


Varujan Vosganian en la Wikipedia.







Balthus - Katia leyendo



En lisant Bataille:

Un peu après (ayant retrouvé nos bicyclettes), nous pouvions nous offrir l’un à l’autre le spectacle irritant, théoriquement sale, d’un corps nu et chaussé sur la machine. Nous pédalions rapidement, sans rire ni parler, dans l’isolement commun de l’impudeur, de la fatigue, de l’absurdité.
Nous étions morts de fatigue. Au milieu d’une côte Simone s’arrêta, prise de frissons. Nous ruisselions de sueur, et Simone grelottait, claquant des dents. Je lui ôtai alors un bas pour essuyer son corps : il avait une odeur chaude, celle des lits de malade et des lits de débauche. Peu à peu elle revint à un état moins pénible et m’offrit ses lèvres en manière de reconnaissance.
Je gardais les plus grandes inquiétudes. Nous étions encore à dix kilomètres de X… et, dans l’état où nous nous trouvions, il nous fallait à tout prix arriver avant l’aube. Je tenais mal debout, désespérant de voir la fin de cette randonnée dans l’impossible. Le temps depuis lequel nous avions quitté le monde réel, composé de personnes habillées, était si loin qu’il semblait hors de portée. Cette hallucination personnelle se développait cette fois avec la même absence de borne que le cauchemar global de la société humaine, par exemple, avec terre, atmosphère et ciel.
La selle de cuir se collait à nu au cul de Simone qui fatalement se branlait en tournant les jambes. Le pneu arrière disparaissait à mes yeux dans la fente du derrière nu de la cycliste. Le mouvement de rapide rotation de la roue était d’ailleurs assimilable à ma soif, à cette érection qui déjà m’engageait dans l’abîme du cul collé à la selle. Le vent était un peu tombé, une partie du ciel s’étoilait; il me vint à l’idée que la mort étant la seule issue de mon érection, Simone et moi tués, à l’univers de notre vision personnelle se substitueraient les étoiles pures, réalisant à froid ce qui me paraît le terme de mes débauches, une incandescence géométrique (coïncidence, entre autres, de la vie et de la mort, de l’être et du néant) et parfaitement fulgurante.





jueves, 23 de abril de 2015

Antonio Saura - Don Quijote








Cervantes - "Y así, fatigado de este pensamiento..."

(*)



Y así, fatigado de este pensamiento, abrevió su venteril y limitada cena, la cual acabada llamó al ventero, y encerrándose con él en la caballeriza, se hincó de rodillas ante él, diciéndole, no me levantaré jamás de donde estoy, valeroso caballero, fasta que la vuestra cortesía, me otorgue un don que pedirle quiero, el cual redundará en alabanza vuestra y en pro del género humano. El ventero que vió a su huésped a sus pies, y oyó semejantes razones, estaba confuso mirándole, sin saber qué hacerse ni decirle, y porfiaba con él que se levantase; y jamás quiso, hasta que le hubo de decir que él le otorgaba el don que le pedía. No esperaba yo menos de la gran magnificencia vuestra, señor mío, respondió D. Quijote; y así os digo que el don que os he pedido, y de vuestra liberalidad me ha sido otorgado, es que mañana, en aquel día, me habéis de armar caballero, y esta noche en la capilla de este vuestro castillo velaré las armas; y mañana, como tengo dicho, se cumplirá lo que tanto deseo, para poder, como se debe, ir por todas las cuatro partes del mundo buscando las aventuras en pro de los menesterosos, como está a cargo de la caballería y de los caballeros andantes, como yo soy, cuyo deseo a semejantes fazañas es inclinado. El ventero, que como está dicho, era un poco socarrón, y ya tenía algunos barruntos de la falta de juicio de su huésped, acabó de creerlo cuando acabó de oír semejantes razones, y por tener que reír aquella noche, determinó seguirle el humor; así le dijo que andaba muy acertado en lo qeu deseaba y pedía, y que tal prosupuesto era propio y natural de los caballeros tan principales como él parecía, y como su gallarda presencia mostraba, y que él ansimesmo, en los años de su mocedad se había dado a aquel honroso ejercicio, andando por diversas partes del mundo buscando sus aventuras, sin que hubiese dejado los percheles de Málaga, islas de Riarán, compás de Sevilla, azoguejo de Segovia, la olivera de Valencia, rondilla de Granada, playa de Sanlúcar, potro de Córdoba, y las ventillas de Toledo, y otras diversas partes donde había ejercitado la ligereza de sus pies y sutileza de sus manos, haciendo muchos tuertos, recuestando muchas viudas, deshaciendo algunas doncellas, y engañando a muchos pupilos, y finalmente, dándose a conocer por cuantas audiencias y tribunales hay casi en toda España; y que a lo último se había venido a recoger a aquel su castillo, donde vivía con toda su hacienda y con las ajenas, recogiendo en él a todos los caballeros andantes de cualquiera calidad y condición que fuesen, sólo por la mucha afición que les tenía, y porque partiesen con él de sus haberes en pago de su buen deseo. Díjole también que en aquel su castillo no había capilla alguna donde poder velar las armas, porque estaba derribada para hacerla de nuevo; pero en caso de necesidad él sabía que se podían velar donde quiera, y que aquella noche las podría velar en un patio del castillo; que a la mañana, siendo Dios servido, se harían las debidas ceremonias de manera que él quedase armado caballero, y tan caballero que no pudiese ser más en el mundo.


Miguel de Cervantes


Fragmento del capítulo III de la primera parte de El Quijote




miércoles, 22 de abril de 2015

Coleman Hawkins - April in Paris




Coleman Hawkins grabó esta versión de April in Paris el 11 de diciembre de 1947.











(Fotografía: Le Pont Neuf,  Boccacino - Flickr)



Vinicius de Moraes - "A anunciação"




A ANUNCIAÇÃO


Virgem! filha minha
De onde vens assim
Tão suja de terra
Cheirando a jasmim
A saia com mancha
De flor carmesim
E os brincos da orelha
Fazendo tlintlin?

Minha mãe querida
Venho do jardim
Onde a olhar o céu
Fui, adormeci.
Quando despertei
Cheirava a jasmim
Que um anjo esfolhava
Por cima de mim...

Vinicius de Moraes






(Fotografía de Goimar Dantas)



Milton Nascimento - Travessia




TRAVESSIA

Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho prá falar

Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu canto, vou querer me matar

Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver
Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver

Solto a voz nas estradas, já não quero parar
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa, vento vem terminar
Vou fechar o meu canto, vou querer me matar


Letra de Fernando Brant, música de Milton Nascimento




martes, 21 de abril de 2015

París, 1953



París, 1953. Sin más datos. Si alguien conociese al autor, se agradecería saberlo.




Neil Young - Cinnamon Girl












(Fotografía de Johnny Riggs - Flickr)


"En París está doña Alda..."





En París está doña Alda,
la esposa de don Roldán,
trescientas damas con ella
para la acompañar;
todas visten un vestido,
todas calzan un calzar,
todas comen a una mesa,
todas comían de un pan,
sino era doña Alda,
que era la mayoral.
Las ciento hilaban oro,
las ciento tejen cendal,
las ciento instrumentos tañen
para doña Alda holgar.
Al son de los instrumentos
doña Alda dormido se ha;
ensoñando había un sueño,
un sueño de gran pesar.
Recordó despavorida
y con un pavor muy gran;
los gritos daba tan grandes
que se oían en la ciudad.
Allí hablaron sus doncellas,
bien oiréis lo que dirán:
-¿Qué es aquesto, mi señora?
¿Quién es el que os hizo mal?
-Un sueño soñé, doncellas,
que me ha dado gran pesar:
que me veía en un monte
en un desierto lugar:
do so los montes muy altos,
un azor vide volar,
tras d'él viene un aguililla
que lo ahínca muy mal;
el azor con grande cuita,
metióse so mi brial:
el águililla con grande ira,
de allí lo iba a sacar.
Con las uñas lo despluma,
con el pico lo deshace.-
Allí habló su camarera,
bien oiréis lo que dirá:
-Aquese sueño, señora,
bien os lo entiendo soltar:
el azor es vuestro esposo,
que viene de allén la mar;
el águila sodes vos,
con la cual ha de casar,
y aquel monte es la iglesia
donde os han de velar.
-Si así es, mi camarera,
bien te lo entiendo pagar.-
Otro día de mañana
cartas de fuera le traen;
tintas venían de dentro,
de fuera escritas con sangre:
que su Roldán era muerto
en caza de Roncesvalles



"Leer da sueños"








(Visto en Treadmill to oblivion)




lunes, 20 de abril de 2015

Paul Celan - "Álamo temblón, tu follaje es blanco en lo oscuro"



En recuerdo del poeta Paul Celan, que murió hace 45 años en las aguas del Sena.



Álamo temblón, tu follaje es blanco en lo oscuro.
El cabello de mi madre nunca llegó a ser blanco.

Diente de león, tan verde es la Ucrania.
Mi rubia madre no volvió a casa.

Nube de lluvia, ¿te demoras en los pozos?
Mi dulce madre llora por todos.

Estrella redonda, tú enroscas la cola dorada.
El corazón de mi madre fue herido con plomo.

Puerta de roble, ¿quién te sacó de los goznes?
Mi tierna madre no puede venir.

Paul Celan


De su libro Amapola y memoria (Mohn und Gedächtnis, 1952)


Leído en Obras completas (Paul Celan). Traducción de José Luis Reina Palazón. Editorial Trotta, 3ª ed. 2002




Espenbaum, dein Laub blickt weiß ins Dunkel.
Meiner Mutter Haar ward nimmer weiß.

Löwenzahn, so grün ist die Ukraine.
Meine blonde Mutter kam nie heim.

Regenwolke, säumst du an den Brunnen?
Meine leise Mutter weint' für alle.

Runder Stern, du schlingst die goldne Schleife.
Meiner Mutter Herz ward wund von Blei.

Eichne Tür, wer hob dich aus den Angeln?
Meine sanfte Mutter kann nicht kommen.




(Fotografía: Paul Celan en París, de Lufti Özkök, 1963. © Lufti Özkök)




domingo, 19 de abril de 2015

Sophia Coppola vista por Michel Comte







Georg Pencz - El triunfo de la muerte (c. 1539)



The Triumph of Death, Georg Pencz, Germany, c.1539. NASCENTES MORIMUR FINIS QZ AB ORIGINE PENDET/ LONGIUS AUT PROPIUS MORS SUA QUENOZ MANET 


Death as a skeleton holding a scythe riding a chariot drawn by two bulls to right; dead or dying figures on his path including a king and a pope and bishop; in background a burning city; from a series of six engravings.

Inscription Content: Signed with monogram on the tablet at lower centre, numbered there 5 and lettered 'NASCENTES MORIMUR FINIS QZ AB ORIGINE PENDET/ LONGIUS AUT PROPIUS MORS SUA QUENOZ MANET'.

Engraving made by Georg Pencz, Germany, c.1539.


(Visto en Kinzertorium/Assaf Kinzter - Flickr)





sábado, 18 de abril de 2015

Justin Hayward y John Lodge - This Morning




Del álbum Blue Jays. Disco compuesto y cantado por dos de los miembros de The Moody Blues, Justin Hayward y John Lodge, en una época atribulada para el grupo británico.










(Fotografía de Mathieu Bertrand Struck - Flickr)




Gilera 125 (1949) - 'ad occhi chiusi'







Swanson y Wilder





"¿Qué me cuentas, guapo?"





viernes, 17 de abril de 2015

Audrey Hepburn (1953)



Audrey Hepburn fotografiada por Milton H. Greene, 1953




(gatabella)

Música de Jacob van Eyck y de Louis Andressen




Música de Jacob van Eyck (1590-1657) y de Louis Andressen (1939).

Lucie Horsch (blokfluit) in de Nationale Finale van het Prinses Christina Concours op zondag 15 april 2012 in Den Haag.

J. van Eyck - Fluyten Lust-hof: nr. 3 Doen Daphne d'over schoone Maeght, Modo 1, 3 en 5
L. Andriessen - 'Ende' voor twee altblokfluiten, bespeeld door één speler
1e prijs Categorie 1 (12 t/m 14 jaar)

www.christinaconcours.nl

La lírica según Herta Müller



La lírica puede ser vista como un conjunto de oraciones para las personas no creyentes.

Herta Müller



Herta Müller - "La ciudad del puerto tiene la barriga de agua espumosa"









jueves, 16 de abril de 2015

Una foto de Elinor Carucci







Carta de una paciente esquizofrénica




Carta de una paciente esquizofrénica alemana a su marido. Sólo hay dos frases repetidas una y otra vez: “Herzensschatzi komm” (amor mío o amorcito de mi corazón ven) y “komm komm komm” (ven, ven, ven).



(Visto aquí))

martes, 14 de abril de 2015

Vitorino - Fado da liberdade livre




"Ao pretender entender o passado não muito longínquo da implantação da República, Vitorino faz aquilo que pode ser uma banda sonora da sua (nossa) vida e recria as ambiências - em ficção - do que pode ter sido a música popular que andava no ar, no princípio do século XX."

De su disco Viva a República viva (2010)


FADO DA LIBERDADE LIVRE

Não ser livre, não consigo
Por isso já decidi
Se não for livre contigo
Vejo-me livre de ti

Amo-te à minha maneira
Não sei se é crime ou castigo
Mas por muito que eu te queira
Não ser livre, não consigo

Deus me livre de trocar
A liberdade por ti
És livre de não gostar
Por isso já decidi

O risco de te perder
É preço de maior perigo
Deus te livre de eu te querer
Se não for livre contigo

* * * * * * * *


A Implantação da República Portuguesa foi o resultado de uma revolução organizada pelo Partido Republicano Português, iniciada no dia 2 e vitoriosa na madrugada do dia 5 de outubro de 1910, que destituiu a monarquia constitucional e implantou um regime republicano em Portugal. (Wikipédia)









lunes, 13 de abril de 2015

Eduardo Galeano - "¿Qué tal si deliramos por un ratito?"




Estas palabras de Eduardo Galeano tienen ya unos años, pero, ¿y qué?


¿Qué tal si deliramos por un ratito?
¿Qué tal si clavamos los ojos más allá de la infamia para adivinar otro mundo posible?
El aire estará limpio de todo veneno que no provenga de los miedos humanos y de las humanas pasiones...
En las calles los automoviles serán aplastados por los perros...
La gente no será manejada por el automovil, ni será programada por el ordenador, ni será comprada por el supermercado, ni será, tampoco, mirada por el televisor.
El televisor dejará de ser el miembro más importante de la familia y será tratado como la plancha, o el lavarropas.
Se incorporará a los códigos penales el delito de estupidez, que cometen quienes viven por tener o por ganar en vez de... vivir por vivir nomás... Cómo canta el pájaro sin saber que canta y cómo juega el niño sin saber que juega.
En ningún país iran presos los muchachos que se nieguen por cumplir el servicio militar, sino los que quieran cumplirlo.
Nadie vivirá para trabajar, pero todos trabajaremos para vivir.
Los economistas no llamarán nivel de vida al nivel de consumo ni llamarán calidad de vida a la cantidad de cosas.
Los cocineros no creerán que a las langostas les encanta que las hiervan vivas.
Los historiadores no creerán que a los países les encanta ser invadadidos.
Los políticos no creerán que a los pobres les encanta comer promesas.
La solemnidad se dejará de creer que es una virtud, y nadie, nadie, tomará en serio a nadie que no sea capaz de tomarse el pelo.
La muerte y el dinero perderán sus mágicos poderes, y ni por defunción ni por fortuna se convertirá el canalla en virtuoso caballero.
La comida no será una mercancía, ni la comunicación un negocio... porque la comida y la comunicación son derechos humanos.
Nadie morirá de hambre... porque nadie morirá de indigestión.
Los niños de la calle no serán tratados como si fueran basura, porque no habrá niños de la calle.
Los niños ricos no serán tratados como si fueran dienro, porque no habrá niños ricos.
La educación no será el privilegio de quiénes puedan pagarla y la policía no será la maldición de quiénes no puedan comprarla.
La justicia y la libertad... hermanas siamesas condenadas a vivir separadas, volverán a juntarse, bien pegaditas, espalda contra espalda..
En Argentina, las locas de plaza de mayo serán un ejemplo de salud mental, porque ellas se negaron a olvidar en los tiempos de la amnesia obligatoria.
La Santa Madre Iglesia corregirá algunas erratas de las tablas de Moisés, y el sexto mandamiento ordenará: festejar el cuerpo. La Iglesia también dictará otro mandamiento que se le había olvidado a Dios: amarás a la naturaleza de la que formas parte.
Serán reforestados los desiertos del mundo y los desiertos del alma.
Los desesperados serán esperados y los perdidos serán encontrados, porque ellos se desesperaron de tanto esperar y ellos se perdieron por tanto buscar.
Seremos compatriotas y contemporareos de todos los que tengan voluntad de belleza, y voluntad de Justicia... hayan nacido cuando hayan nacido y hayan vivido donde hayan vivido, sin que importe ni un poquito las fronteras del mapa ni del tiempo.
Seremos... imperfectos, porque la perfección seguirá siendo el aburrido privilegio de los dioses.
Pero en este mundo, en este mundo chambón y jodido, seremos capaces de vivir cada día como si fuera el primero y cada noche como si fuera la última.




Adiós a Eduardo Galeano



¡Vaya una manera de empezar la semana! Hoy han muerto Günter Grass y Eduardo Galeano. Hace unos dias fue Tomas Tranströmer.

Adiós, Eduardo, adiós.



Abril
13

No supimos verte

En el año 2009, en el atrio del convento de Maní de Yucatán, cuarenta y dos frailes franciscanos cumplieron una ceremonia de desagravio a la cultura indígena:

Pedimos perdón al pueblo maya, por no haber entendido su cosmovisión, su religión, por negar sus divinidades; por no haber respetado su cultura, por haberle impuesto durante muchos siglos una religión que no entendían, por haber satanizado sus prácticas religiosas y por haber dicho y escrito que eran obra del Demonio y que sus ídolos eran el mismo Satanás materializado.

Cuatro siglos y medio antes, en ese mismo lugar, otro fraile franciscano, Diego de Landa, había quemado los libros mayas, que guardaban ocho siglos de memoria colectiva.


El texto elegido para despedir a Eduardo Galeano pertenece a Los hijos de los días, Siglo XXI de España, 2012. La obra consta de tantos breves capítulos como días tiene el año.



Este libro tiene como epígrafe inicial estos versos de "El Génesis, según los mayas":

Y los días se echaron a caminar.
Y ellos, los días, nos hicieron.
Y así fuimos nacidos nosotros,
los hijos de los días,
los averiguadores,
los buscadores de la vida.





Adiós a Günter Grass

(*)


El escritor y artista alemán Günter Grass ha fallecido en la ciudad de Lübeck a los 87 años. Nunca había venido por aquí como poeta y, por ello, lo despedimos con versos.


Estadio de noche

Lentamente ascendió el balón en el cielo.
Entonces se vio que estaba lleno el graderío.
En la portería estaba el poeta solitario,
pero el árbitro pitó fuera de juego.

Günter Grass

(Versión de Miguel Sáenz)


Más poemas de Grass en  A media voz



Nächtliches Stadion

Langsam ging der Fußball am Himmel auf.
Nun sah man, daß die Tribüne besetzt war.
Einsam stand der Dichter im Tor,
doch der Schiedsrichter pfiff: Abseits.




Luis Cernuda - Jardín antiguo




JARDÍN ANTIGUO

Ir de nuevo al jardín cerrado,
que tras los arcos de la tapia,
entre magnolios, limoneros,
guarda el encanto de las aguas.

Oír de nuevo en el silencio,
vivo de trinos y de hojas,
el susurro tibio del aire
donde las almas viejas flotan.

Ver otra vez el cielo hondo
a lo lejos, la torre esbelta
tal flor de luz sobre las palmas:
las cosas todas siempre bellas.

Sentir otra vez, como entonces,
la espina aguda del deseo,
mientras la juventud pasada
vuelve. Sueño de un dios sin tiempo.

Luis Cernuda


De su libro Las nubes, que contiene poemas escritos entre 1937 y 1940.


Rincón de Grutesco del Alcázar de Sevilla, Joaquín Sorolla (1910)



JARDÍN ANTIGUO

Se atravesaba primero un largo corredor oscuro. Al fondo, a través de un arco, aparecía la luz del jardín, una luz cuyo dorado resplandor tenía de verde las hojas y el agua de un estanque. Y ésta, al salir afuera, encerrada allá tras la baranda de hierro, brillaba como líquida esmeralda, densa, serena y misteriosa.
Luego, estaba la escalera, junto a cuyos peldaños había dos altos magnolios, escondiendo entre sus ramas alguna estatua vieja a quien servía de pedestal una columna. Al pie de la escalera comenzaban las terrazas del jardín.
Siguiendo los senderos de ladrillos rosáceos, a través de una cancela y unos escalones, se sucedían los patinillos solitarios, con mirtos y adelfas en torno de una fuente musgosa, y junto a la fuente el tronco de un ciprés cuya copa se hundía en el aire luminoso.
En el silencio circundante, toda aquella hermosura se animaba con un latido recóndito, como si el corazón de las gentes desaparecidas que un día gozaron del jardín palpitara al acecho tras de las espesas ramas. El rumor inquieto del agua fingía como unos pasos que se alejaran.
Era el cielo de un azul límpido y puro, glorioso de luz y de calor. Entre las copas de las palmeras, más allá de las azoteas y galerías blancas que coronaban el jardín, una torre gris y ocre se erguía esbelta como el cáliz de una flor.

***

Hay destinos humanos ligados con un lugar o con un paisaje. Allí en aquel jardín, sentado al borde de una fuente, soñaste un día la vida como embeleso inagotable. La amplitud del cielo te acuciaba a la acción; el alentar de las flores, las hojas y las aguas, a gozar sin remordimientos.
Más tarde habrías de comprender que ni la acción ni el goce podrías vivirlos con la perfección que tenían en tus sueños al borde de la fuente. Y el día que comprendiste esa triste verdad, aunque estabas lejos y en tierra extraña, deseaste volver a aquel jardín y sentarte de nuevo al borde de la fuente, para soñar otra vez la juventud pasada.


De su libro Ocnos (1940-1963)




(Fotografía de Enrique Viola)


domingo, 12 de abril de 2015

Una foto de Getúlio Ribeiro




Una fotografía de Getúlio Ribeiro en Flickr.







Marthe Keller e Yves Montand




Marthe Keller e Yves Montand durante el rodaje de El diablo por la cola (Le Diable par la queue, 1969). La foto es de  Jack Garofalo (1968).






(Foto: skorver 1 - Flickr)



Una foto de Bruce Gilden




Fifth Avenue, Midtown Manhattan, New York City 1975, una fotografía de Bruce Gilden.






sábado, 11 de abril de 2015

Emil Nolde - Joven pareja (1935)








(*Huismus - Flickr)


The Moody Blues - Watching and Waiting





WATCHING AND WAITING

Watching and waiting
For a friend to play with
Why have I been alone so long
Mole he is burrowing his way to the sunlight
He knows there's some there so strong

Cos here there's lot of room for doing
The thing you've always been denied
Look and gather all you want to
There's no one here to stop you trying

Soon you will see me
Cos I'll be all around you
But where I come from I can't tell
But don't be alarmed by my fields and my forests
They're here for only you to share

Cos here there's lot of room for doing
The things you've always been denied
So look and gather all you want to
There's no one here to stop you trying

Watching and waiting
For someone to understand me
I hope it won't be very long





Para Luís y Elsa






(Ferdinand Holder, Primavera -  1901)