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el sabroso oficio / del dulce mirar Góngora – ¡Qué difícil es entender la belleza! Günter Eich

sábado, 30 de abril de 2016

viernes, 29 de abril de 2016

Un cuadro de John Duncan Fergusson




John Duncan Fergusson (1874-1961) - Les Eus , (c. 1930)




(*Huismus - Flickr)



Stravinsky para el Día Internacional de la Danza



Recordamos que hoy es el Día Internacional de la Danza.



Fotografía de Peter Voerman en Flickr. 






Coreógrafo: George Balanchine

Zhana Ayupova
Patricia Barker
Isabelle Guérin
Nilas Martins

New York City Ballet 1993




Olvido García Valdés - "Olivos extraídos de cuajo..."




Olivos extraídos de cuajo,
taladas las ramas y viajeros;
al adelantarlos miro
la tierra que conservan como parte
de sí , tierra roja, densa y entreverada
de guijarros; muy blanca la sección
de ramas y raíces, algo
irreal la simetría, impropia
de ancianos nudosos. Retengo
el coche en paralelo. Indiferencia
o naturaleza, color de la sangre.

Olvido García Valdés





(Fotografía de Manolo Lay)



jueves, 28 de abril de 2016

Judy Garland - Smile







Isabella Rossellini vista por Steven Meisel




Isabella Rosellini,  Foto de Steven Meisel para la edición italiana de la revista Vogue (Septiembre 1990)










miércoles, 27 de abril de 2016

Mário de Sá-Carneiro - "Como eu não possuo"


Ayer, 26 de abril, se cumplieron 100 años del suicidio en París del poeta y escritor portugués, Mário de Sá-Carneiro, amigo fraternal de Fernando Pessoa, que escribió lo siguiente sobre él:


MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
(1890-1916)
Atque in perpetuum, frater, ave atque vale!
CAT .

Morre jovem o que os Deuses amam, é um preceito da sabedoria antiga. E por certo a imaginação, que figura novos mundos, e a arte, que em obras os finge, são os sinais notáveis desse amor divino. Não concedem os Deuses esses dons para que sejamos felizes, senão para que sejamos seus pares. Quem ama, ama só a igual, porque o faz igual com amá-lo. Como porém o homem não pode ser igual dos Deuses, pois o Destino os separou, não corre homem nem se alteia deus pelo amor divino; estagna só deus fingido, doente da sua ficção.

(...)

Génio na arte, não teve Sá-Carneiro nem alegria nem felicidade nesta vida. Só a arte, que fez ou que sentiu, por instantes o turbou de consolação. São assim os que os Deuses fadaram seus. Nem o amor os quer, nem a esperança os busca, nem a glória os acolhe. Ou morrem jovens, ou a si mesmos sobrevivem, íncolas da incompreensão ou da indiferença. Este morreu jovem, porque os Deuses lhe tiveram muito amor.

Mas para Sá-Carneiro, génio não só da arte mas da inovação nela, juntou-se, à indiferença que circunda os génios, o escárnio que persegue os inovadores, profetas, como Cassandra, de verdades que todos têm por mentira. In qua scribebat, barbara terra fuit. Mas, se a terra fora outra, não variara o destino. Hoje, mais que em outro tempo, qualquer privilégio é um castigo. Hoje, mais que nunca, se sofre a própria grandeza. As plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta, as ruínas do que foi grande e os alicerces desertos do que poderia sê-lo. O circo, mais que em Roma que morria, é hoje a vida de todos; porém alargou os seus muros até os confins da terra. A glória é dos gladiadores e dos mimos. Decide supremo qualquer soldado bárbaro, que a guarda impôs imperador. Nada nasce de grande que não nasça maldito, nem cresce de nobre que se não definhe, crescendo. Se assim é, assim seja! Os Deuses o quiseram assim.

(Texto completo en Arquivo Pessoa)



COMO EU NÃO POSSUO

Olho em volta de mim. Todos possuem –
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minhalma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei... perco-me todo...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse  – ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...

Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim  – ó ânsia!  – eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.

Mário de Sá-Carneiro

Maio de 1913, Paris


Mário de Sá-Carneiro en el Projecto Vercial (Universidade do Minho)




António Olaio recita el poema




Maria João Pires interpreta a Bach - Suite Francesa No.2 en do menor (2002)







Kirmen Uribe - Visita



VISITA

La heroína es tan dulce como hacer el amor,
decía ella en otro tiempo.

Los médicos dicen que no ha ido a peor,
día va y día viene, y que nos lo tomemos con calma.
Hace un mes que no ha vuelto a despertar,
desde la última operación.

Y sin embargo seguimos visitándola todos los días
en el sexto box de la unidad de cuidados intensivos.
Al entrar, el enfermo de la cama de enfrente lloraba,
no ha venido nadie a visitarme, le decía a la enfermera.

Hace un mes que no oímos la voz de mi hermana.
No veo como antes toda la vida por delante,
nos decía,
no quiero promesas, no quiero disculpas,
tan sólo un gesto de amor.

Ahora sólo le hablamos mi madre y yo.
Mi hermano, antes, no decía gran cosa;
ahora ni siquiera viene.
Mi padre se queda en la puerta, callado.

No duermo por las noches, nos decía mi hermana,
tengo miedo a dormirme, miedo a las pesadillas.
Las agujas me hacen daño y tengo frío,
el suero me enfría las venas.

Si pudiera huir de este cuerpo podrido.

Mientras tanto dame la mano, decía,
no quiero promesas, no quiero disculpas,
tan sólo un gesto de amor.

Kirmen Uribe



martes, 26 de abril de 2016

Amélia Muge - Transparência




Un poema del escritor portugués Eugénio Lisboa cantado por Amélia Muge, que compuso también la música. ¡Qué voz!


TRANSPARÊNCIA

Morrer é só não ser visto,
é sair de ao pé de ti,
apagar-me em tudo isto,
deixar de ver o que vi.

Morrer é não estar em ti,
e mais do que não te ver,
é não ser visto por ti,
no deserto do não ser.

Morrer é como apagar-se
a chama que houve em nós,
é uma espécie de ficar-se
vazio da própria voz.

Vive o amor da atenção
que se tem por quem se ama.
Mas a morte atiça em vão
o fio que não dá chama.

Morrer é só não ser visto,
é passar a pertencer
a um livro de registo
que guarda o nosso não-ser.



Aquí: "Taco a taco/Poemas da bancada" y en esa entrada, un enlace a otra canción, "Não sou daqui"






Lauren Withrow - Una fotografía con historia detrás



"i don't always put too much reason/story behind an image, but this one is different. it holds a special place in my heart. this was taken in my grandfather's home, the same home i spent countless summer days in, running through the hallways and up the stairs, often playing dress up and other games with my cousins.

my grandfather passed away in may, and the days and weeks after were the most difficult and darkest moments of my life. he was (and always will be) one of the most important people in my life. he was always supportive of my photography, bragged about me to his senior citizen friends often, and even joked that he couldn't wait until I photographed for playboy. the two years prior to his death, i would try to visit him when i could (as i no longer lived in the same town as he). we'd play bingo, eat dinner, and sometimes just watch tv together on the couch. i loved him so much.

but the reason why i chose here to take this self portrait is because those walls and those rooms hold so many memories, so many good memories, but it still saddens me to think about them."


Texto y fotografía de Lauren Withrow




lunes, 25 de abril de 2016

Madredeus - As brumas do futuro



Canción de la película Capitães de Abril, dirigida por Maria de Medeiros. Compositor: Antonio Victorino D'Almeida. Letra: Pedro Ayres de Magalhães. Interpretada por Teresa Salgueiro y Madredeus. Clip de João Pedro Ruivo.



El rostro del 25 de Abril: el capitán Salgueiro Maia (Fotografía de Alfredo Cunha)





"25 DE ABRIL: O VIRAR DA PÁGINA"



Fuente: Hemeroteca Digital

Flama: revista semanal de actualidades, N.º 1365, Ano XXX, 3 de Maio de 1974.

Enlace a la revista.

Enlace a la página.






José Afonso - Cantar alentejano






CANTAR ALENTEJANO

Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer

Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou

Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou

Aquela pomba tão branca
Todos a querem p´ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti

Aquela andorinha negra
Bate as asas p´ra voar.
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar

Poema de Vicente Campinas y música de José Afonso


Álbum: Cantigas do Maio (1971)



"Catarina Efigénia Sabino Eufémia (Baleizão, Beja, 13 de Fevereiro de 1928 — Monte do Olival, Baleizão, Beja, 19 de Maio de 1954) foi uma ceifeira portuguesa que, na sequência de uma greve de assalariadas rurais, foi assassinada a tiros, pelo tenente Carrajola da Guarda Nacional Republicana.

Com vinte e seis anos de idade, analfabeta, Catarina tinha três filhos, um dos quais de oito meses, que ofereceu resistência ao regime salazarista, sendo adoptada pelo Partido Comunista Português como ícone da resistência no Alentejo. Sophia de Mello Breyner, Carlos Aboim Inglez, Eduardo Valente da Fonseca, Francisco Miguel Duarte, José Carlos Ary dos Santos, Maria Luísa Vilão Palma e António Vicente Campinas dedicaram-lhe poemas. O poema de Vicente Campinas "Cantar Alentejano" foi musicado por Zeca Afonso no álbum "Cantigas de Maio" editado no Natal de 1971."

(Wikipédia)


Poemas dedicados a Catarina Eufémia en el blog Estrolabio


"Documento da GNR que relata a morte de Catarina Eufémia" (Diário do Alentejo)





José Dias Coelho: Morte de Catarina Eufémia



domingo, 24 de abril de 2016

Rão Kyao - Fado Bailado





El tema que da título al disco de Rão Kyao, Fado Bailado (1983)


Arreglos y saxo: Rão Kyao
Guitarra portuguesa: António Chaínho
Guitarra clásica: Jose Maria Nobrega




Salvador Ojeda - Que me lleve la tristeza





QUE ME LLEVE LA TRISTEZA

Que me lleve la tristeza
antes que sentir rencor,
que el rencor no me oscurezca
el recuerdo de tu amor.

Soportable es el dolor
poco a poco, trago a trago,
pero no ver en el fango
la nobleza de una flor.

Que me lleve la tristeza
pero que la rabia no,
me daría mucha vergüenza
ver que el odio me ganó.

Que el amor se nos ahogó
en el pozo del coraje
y que es causa de mis males
el veneno del rencor.

Que me lleve la tristeza
pero que la rabia no
me daría mucha vergüenza
ver que el odio me ganó.

Que el amor se nos ahogó
en el pozo del coraje
y que es causa de mis males
el veneno del rencor.

Que me lleve la tristeza....


Salvador Ojeda






Wisława Szymborska - A mi corazón el domingo





A MI CORAZÓN EL DOMINGO

Gracias te doy, corazón mío,
por no quejarte, por ir y venir
sin premios, sin halagos,
por diligencia innata.

Tienes setenta merecimientos por minuto.
Cada una de tus sístoles
es como empujar una barca
hacia alta mar
en un viaje alrededor del mundo.

Gracias te doy, corazón mío,
porque una y otra vez
me extraes del todo,
y sigo separada hasta en el sueño.

Cuidas de que no me sueñe al vuelo,
y hasta el extremo de un vuelo
para el que no se necesitan alas.

Gracias te doy, corazón mío,
por haberme despertado de nuevo,
y aunque es domingo,
día de descanso,
bajo mis costillas
continúa el movimiento de un día laboral.

Wisława Szymborska


Versión de Gerardo Beltrán



(Fotografía:  .with internal parts like a lemon sunray, de Herr Benini - Flickr)



sábado, 23 de abril de 2016

Música para Cervantes


Luis de Narváez - Guárdame las vacas





Francisco Guerrero - Prado verde y florido





"No se muera vuestra merced, señor mío, sino tome mi consejo y viva muchos años..."




Entró el escribano con los demás, y después de haber hecho la cabeza del testamento y ordenado su alma don Quijote, con todas aquellas circunstancias cristianas que se requieren, llegando a las mandas, dijo:

—Iten, es mi voluntad que de ciertos dineros que Sancho Panza, a quien en mi locura hice mi escudero, tiene, que porque ha habido entre él y mí ciertas cuentas, y dares y tomares, quiero que no se le haga cargo dellos ni se le pida cuenta alguna, sino que si sobrare alguno después de haberse pagado de lo que le debo, el restante sea suyo, que será bien poco, y buen provecho le haga; y si, como estando yo loco fui parte para darle el gobierno de la ínsula, pudiera agora, estando cuerdo, darle el de un reino, se le diera, porque la sencillez de su condición y fidelidad de su trato lo merece.
Y, volviéndose a Sancho, le dijo:

—Perdóname, amigo, de la ocasión que te he dado de parecer loco como yo, haciéndote caer en el error en que yo he caído de que hubo y hay caballeros andantes en el mundo.

—¡Ay! —respondió Sancho llorando—. No se muera vuestra merced, señor mío, sino tome mi consejo y viva muchos años, porque la mayor locura que puede hacer un hombre en esta vida es dejarse morir sin más ni más, sin que nadie le mate ni otras manos le acaben que las de la melancolía. Mire no sea perezoso, sino levántese desa cama, y vámonos al campo vestidos de pastores, como tenemos concertado: quizá tras de alguna mata hallaremos a la señora doña Dulcinea desencantada, que no haya más que ver. Si es que se muere de pesar de verse vencido, écheme a mí la culpa, diciendo que por haber yo cinchado mal a Rocinante le derribaron; cuanto más que vuestra merced habrá visto en sus libros de caballerías ser cosa ordinaria derribarse unos caballeros a otros y el que es vencido hoy ser vencedor mañana.

—Así es —dijo Sansón—, y el buen Sancho Panza está muy en la verdad destos casos.

—Señores —dijo don Quijote—, vámonos poco a poco, pues ya en los nidos de antaño no hay pájaros hogaño. Yo fui loco y ya soy cuerdo; fui don Quijote de la Mancha y soy agora, como he dicho, Alonso Quijano el Bueno. Pueda con vuestras mercedes mi arrepentimiento y mi verdad volverme a la estimación que de mí se tenía, y prosiga adelante el señor escribano.




Antonio Saura - Don Quijote y Sancho






Giuseppe Maria Crespi - "Otium sine litteris..."




Giuseppe Maria Crespi (1665 – 1747), apodado Lo Spagnuolo («El Español») fue un pintor italiano del barroco tardío, perteneciente a la Escuela Boloñesa.


Otium sine litteris mors est et hominis vivi sepultura (El ocio sin la literatura es la muerte y la sepultura del hombre vivo), son palabras de Séneca.





viernes, 22 de abril de 2016

Fausto - Foi por ela





FOI POR ELA

Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela

Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela

Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela

Fausto




Una foto de Rosario Leotta



Una fotografía de Rosario Leotta, "nato a Catania nel 1982."






jueves, 21 de abril de 2016

Un autorretrato de Alicia Savage




Alicia Savage, Self-Portrait (Blue Façade)






(Sulphuriclike)



Rolling Stones - As tears go by







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Marianne Faithfull - As tears go by (1987)





AS TEARS GO BY

It is the evening of the day
I sit and watch the children play
Smiling faces I can see
But not for me
I sit and watch
As tears go by

My riches can't buy everything
I want to hear the children sing
All I hear is the sound
Of rain falling on the ground
I sit and watch as tears go by

It is the evening of the day
I sit and watch the children play
Doing things I used to do
They think are new
I sit and watch as tears go by


Dos versiones de esta canción por la misma Faithfull: una de 1965 y otra muy posterior.






miércoles, 20 de abril de 2016

Peck y Bacall







Romance del Conde Niño: poema y canción





Conde Niño, por amores
es niño y pasó a la mar;
va a dar agua a su caballo
la mañana de San Juan.
Mientras el caballo bebe
él canta dulce cantar;
todas las aves del cielo
se paraban a escuchar;
caminante que camina
olvida su caminar,
navegante que navega
la nave vuelve hacia allá.
La reina estaba labrando,
la hija durmiendo está:
-Levantaos, Albaniña,
de vuestro dulce folgar,
sentiréis cantar hermoso
la sirenita del mar.
-No es la sirenita, madre,
la de tan bello cantar,
si no es el Conde Niño
que por mí quiere finar.
¡Quién le pudiese valer
en su tan triste penar!
-Si por tus amores pena,
¡oh, malhaya su cantar!,
y porque nunca los goce
yo le mandaré matar.
-Si le manda matar, madre
juntos nos han de enterrar.
Él murió a la media noche,
ella a los gallos cantar;
a ella como hija de reyes
la entierran en el altar,
a él como hijo de conde
unos pasos más atrás.
De ella nació un rosal blanco,
de él nació un espino albar;
crece el uno, crece el otro,
los dos se van a juntar;
las ramitas que se alcanzan
fuertes abrazos se dan,
y las que no se alcanzaban
no dejan de suspirar.
La reina, llena de envidia,
ambos los mandó cortar;
el galán que los cortaba
no cesaba de llorar;
della naciera una garza,
dél un fuerte gavilán
juntos vuelan por el cielo,
juntos vuelan a la par.


"Romance del Conde Olinos"


v. "Romance del Conde Olinos o del Conde Niño" en el blog escolar Todos no somos mamíferos




martes, 19 de abril de 2016

Louis le Brocquy - Joven en gris (1939)





 Louis le BrocquyGirl in Grey, 1939,   Kingston upon Hull Museums and Art Gallery




(Galería de Miguel Catalán - Flickr)


John Lavery - Miss Auras, El libro rojo




Del pintor irlandés John Lavery (1856 - 1941), Miss Auras. El libro rojo (c. 1892)*



(Historical Portraits)


lunes, 18 de abril de 2016

Música de Dowland para Shakespeare






 Dorothee Mields - In Darkness Let Me Dwell





Barbara Boney - Come again, sweet love doth now invite



Shakespeare - Soneto CIX





CIX

No digas que fue falso mi corazón firme,
aunque ausencia mi fuego atemperar mostrara:
tan fácil de mí mismo fuera despartirme
como del alma mía, que en tu pecho para.

Ése es mi hogar de amor: si por ahí he andado,
como el que fue de viaje, aquí de nuevo caigo,
sólo mudado el tiempo, no con él mudado;
conque el agua a la par para mi mancha traigo.

No creas nunca que, aunque en mi naturaleza
reine todo el error que a toda sangre daña,
dañado pueda estar de lacra tan extraña
que abandone por nada toda tu riqueza;

pues todo el vasto mundo llamo nada y lodo,
fuera de ti mi rosa: en él eres mi todo.

Shakespeare



The Sonnets / Sonetos de amor (Shakespeare). Texto crítico y traducción en verso de Agustín García Calvo. Anagrama, 2ª ed. 1983; 1ª ed. 1974




Sonnet 109, by Shakespeare; read by Jamie Muffett.





domingo, 17 de abril de 2016

Una foto de Maxime Thevenon




Orquídea azul, una fotografía de Maxime Thevenon en Flickr.





Francesco de Gregori - Rimmel




RIMMEL

E qualcosa rimane, tra le pagine chiare e le pagine scure
e cancello il tuo nome dalla mia facciata
e confondo i miei alibi, e le tue ragioni
i miei alibi e le tue ragioni...
Chi mi ha fatto le carte, mi ha chiamato vincente
ma uno zingaro è un trucco
e il futuro invadente fosse stato un pò più giovane
l'avrei distrutto con la fantasia, l'avrei stracciata con la fantasia...

Ora le tue labbra puoi spedirle a un indirizzo nuovo
e la mia faccia sovrapporla a quella di chissà chi altro
ancora i tuoi quattro assi, bada bene di un colore solo
li puoi nascondere o giocare con chi vuoi,
o farli rimanere buoni amici...come noi...

Santa voglia di vivere e dolce venere di rimmel
come quando fuori pioveva e tu mi domandavi
se per caso avevo ancora quella foto
in cui tu sorridevi e non guardavi,
e il vento passava sul tuo collo di pelliccia, e sulla tua persona
e quando io senza capire ho detto "si"
hai detto "è tutto quel che hai di me"
è tutto quel che ho di te...

Ora le tue labbra puoi spedirle a un indirizzo nuovo
e la mia faccia sovrapporla a quella di chissà chi altro
ancora i tuoi quattro assi, bada bene di un colore solo
li puoi nascondere o giocare con chi vuoi,
o farli rimanere buoni amici...come noi...







(Fotografía de Massimo Ankor - Flickr)


viernes, 15 de abril de 2016

Candice Bergen, durante el rodaje de 'El grupo'



Candice Bergen, durante el rodaje de El grupo (The Group, 1966), película dirigida por Sidney Lumet. Fotografía de Steve Schapiro (1-7-1965)








(Galería de Sophia/skorver1 - Flickr)




Antero de Quental - Chiquitita




CHIQUITITA

Sé muy bien que te llaman chiquitita.
Y que tenue cual velo en una danza,
solo en aire tu juicio se afianza
aunque seas, vistiendo, mujercita…

Eres arroyo manso, eres hojita
que el aire suave mece en su balanza,
pecho que la fatiga luego alcanza,
frente con el dolor pronto marchita…

Mas en los montes, niña, a que ascendí,
la angustia me dejó tan hondo trazo
del infinito al escuchar los ecos,

que a no querer ser rey me decidí
¡si no cabe mi reino en tu regazo
y no son mis vasallos tus muñecas!

Antero de Quental



Sonetos (Antero de Quental) Edición bilingüe. Versión de José Antonio Llardent. Calambur Editorial, 2003.



Eu bem sei que te chamam pequenina
E tenue como o véu solto na dança,
Que és no juizo apenas a criança,
Pouco mais, nos vestidos, que a menina...

Que és o regato de água mansa e fina,
A folhinha do til que se balança,
O peito que em correndo logo cansa,
A fronte que ao sofrer logo se inclina...

Mas, filha, lá nos montes onde andei,
Tanto me enchi de angustia e de receio
Ouvindo do infinito os fundos ecos,

Que não quero imperar nem já ser rei
Senão tendo meus reinos em teu seio
E subditos, criança, em teus bonecos!




Mors-Amor, otro soneto de Antero de Quental en el blog.



jueves, 14 de abril de 2016

Banda Municipal "14 de abril", Zamora



Foto con móvil de foto, poca calidad de la imagen, pero... Esta es la Banda Municipal 14 de abril, en Zamora, antes de la tragedia. Por ahí anda mi abuelo, cartero de profesión, con su clarinete.





miércoles, 13 de abril de 2016

João Gilberto + Nara Leão - Esse seu olhar





En fin, los clásicos: Tom JobimJoão Gilberto, Nara Leão. ¿Qué más puede decirse? Nada. 





André Breton - "Union libre"



UNION LIBRE

Ma femme à la chevelure de feu de bois
Aux pensées d'éclairs de chaleur
A la taille de sablier
Ma femme à la taille de loutre entre les dents du tigre
Ma femme à la bouche de cocarde et de bouquet d'étoiles de dernière grandeur
Aux dents d'empreintes de souris blanche sur la terre blanche
A la langue d'ambre et de verre frottés
Ma femme à la langue d'hostie poignardée
A la langue de poupée qui ouvre et ferme les yeux
A la langue de pierre incroyable
Ma femme aux cils de bâtons d'écriture d'enfant
Aux sourcils de bord de nid d'hirondelle
Ma femme aux tempes d'ardoise de toit de serre
Et de buée aux vitres
Ma femme aux épaules de champagne
Et de fontaine à têtes de dauphins sous la glace
Ma femme aux poignets d'allumettes
Ma femme aux doigts de hasard et d'as de cœur
Aux doigts de foin coupé
Ma femme aux aisselles de martre et de fênes
De nuit de la Saint-Jean
De troène et de nid de scalares
Aux bras d'écume de mer et d'écluse
Et de mélange du blé et du moulin
Ma femme aux jambes de fusée
Aux mouvements d'horlogerie et de désespoir
Ma femme aux mollets de moelle de sureau
Ma femme aux pieds d'initiales
Aux pieds de trousseaux de clés aux pieds de calfats qui boivent
Ma femme au cou d'orge imperlé
Ma femme à la gorge de Val d'or
De rendez-vous dans le lit même du torrent
Aux seins de nuit
Ma femme aux seins de taupinière marine
Ma femme aux seins de creuset du rubis
Aux seins de spectre de la rose sous la rosée
Ma femme au ventre de dépliement d'éventail des jours
Au ventre de griffe géante
Ma femme au dos d'oiseau qui fuit vertical
Au dos de vif-argent
Au dos de lumière
A la nuque de pierre roulée et de craie mouillée
Et de chute d'un verre dans lequel on vient de boire
Ma femme aux hanches de nacelle
Aux hanches de lustre et de pennes de flèche
Et de tiges de plumes de paon blanc
De balance insensible
Ma femme aux fesses de grès et d'amiante
Ma femme aux fesses de dos de cygne
Ma femme aux fesses de printemps
Au sexe de glaïeul
Ma femme au sexe de placer et d'ornithorynque
Ma femme au sexe d'algue et de bonbons anciens
Ma femme au sexe de miroir
Ma femme aux yeux pleins de larmes
Aux yeux de panoplie violette et d'aiguille aimantée
Ma femme aux yeux de savane
Ma femme aux yeux d'eau pour boire en prison
Ma femme aux yeux de bois toujours sous la hache
Aux yeux de niveau d'eau de niveau d'air de terre et de feu.

André Breton

(1931)




(Fotografía de Pierre Wayser - Flickr)





martes, 12 de abril de 2016

Spalding + Coltrane - Cuerpo y alma / Body and Soul





Esperanza Spalding: Esperanza (2008)




John Coltrane - Coltrane's Sound (1964)




De Body and  Soul, cantada, mi versión preferida es esta de Sarah Vaughan. Esta en nuestra lengua no suena nada mal. Y si alguien se anima a escuchar a Esperanza Spalding cantando en portugués la Samba em prelúdio de Badem Powell y Vinicius de Moraes, ahí está.



(Fotografía de Hélène Desplechin - Flickr)




Dexter Gordon - Body and Soul










lunes, 11 de abril de 2016

Audrey



Sin indicación del fotógrafo.



(Galería de Fred Baby - Flickr)


Federico García Lorca - Oficina y denuncia




OFICINA Y DENUNCIA

Debajo de las multiplicaciones
hay una gota de sangre de pato;
debajo de las divisiones
hay una gota de sangre de marinero;
debajo de las sumas, un río de sangre tierna.
Un río que viene cantando
por los dormitorios de los arrabales,
y es plata, cemento o brisa
en el alba mentida de New York.
Existen las montañas. Lo sé.
Y los anteojos para la sabiduría.
Lo sé. Pero yo no he venido a ver el cielo.
He venido para ver la turbia sangre,
la sangre que lleva las máquinas a las cataratas
y el espíritu a la lengua de la cobra.
Todos los días se matan en New York
cuatro millones de patos,
cinco millones de cerdos,
dos mil palomas para el gusto de los agonizantes,
un millón de vacas,
un millón de corderos
y dos millones de gallos,
que dejan los cielos hechos añicos.
Más vale sollozar afilando la navaja
o asesinar a los perros en las alucinantes cacerías,
que resistir en la madrugada
los interminables trenes de leche,
los interminables trenes de sangre
y los trenes de rosas maniatadas
por los comerciantes de perfumes.
Los patos y las palomas
y los cerdos y los corderos
ponen sus gotas de sangre
debajo de las multiplicaciones,
y los terribles alaridos de las vacas estrujadas
llenan de dolor el valle
donde el Hudson se emborracha con aceite.
…………………………………………………
Yo denuncio a toda la gente
que ignora la otra mitad,
la mitad irredimible
que levanta sus montes de cemento
donde laten los corazones
de los animalitos que se olvidan
y donde caeremos todos
en la última fiesta de los taladros.
Os escupo en la cara.
La otra mitad me escucha
devorando, orinando, volando en su pureza
como los niños de las porterías
que llevan frágiles palitos
a los huecos donde se oxidan
las antenas de los insectos.
No es el infierno, es la calle.
No es la muerte, es la tienda de frutas.
Hay un mundo de ríos quebrados y distancias inasibles
en la patita de ese gato quebrada por un automóvil,
y yo oigo el canto de la lombriz
en el corazón de muchas niñas.
Óxido, fermento, tierra estremecida.
……………………………………………….
Tierra tú mismo que nadas por los números de la oficina.
¿Qué voy a hacer? ¿Ordenar los paisajes?
¿Ordenar los amores que luego son fotografías,
que luego son pedazos de madera y bocanadas de sangre?
San Ignacio de Loyola
asesinó un pequeño conejo
y todavía sus labios gimen
por las torres de las iglesias.
No, no; yo denuncio.
Yo denuncio la conjura
de estas desiertas oficinas
que no radian las agonías,
que borran los programas de la selva,
y me ofrezco a ser comido por las vacas estrujadas
cuando sus gritos llenan el valle
donde el Hudson se emborracha con aceite.

Federico García Lorca


(Poeta en Nueva York)



Margaret Bourke-White: Sombreros en el Distrito Garment , NY (1930)



domingo, 10 de abril de 2016

Peggy Shinner - “Antigone boasted her hair was prettier than Hera’s, and for this..."

Anouk Aimée


“Antigone boasted her hair was prettier than Hera’s, and for this she was turned into a stork. The poet Menander said that a woman with dyed yellow hair was unchaste and a lazy housekeeper. The Romans sheared the blond hair off German slaves to make into wigs. Cyprian, bishop of Carthage, said that a woman who wore false hair committed a sin more grievous than adultery. Madame Lauzun’s favorite hairstyle was a headdress of natural and artificial hair, topped by ducks swimming in the sea, next to scenes of hunting and shooting, held together by beef marrow and stuffed with wool, tow, and hemp.”

Peggy Shinner






(Scrapbook di Amos Poe)




Luis Eduardo Aute - 24 canciones breves











sábado, 9 de abril de 2016

De 'Belle de jour'







Lauren Bacall en 'Cayo Largo'








Alcino Frazão - Portugalícia




Alcino Frazão (1961-1988) - "Portugalícia", del álbum  Guitarra Portuguesa (1991)


"Alcino Frazão nasceu em Lisboa em 1961 e desde menino manifestou um talento para a guitarra Portuguesa que, com apenas 15 anos tornou-se profissional. Acompanhou os grandes nomes do fado incluíndo o seu irmão Carlos Zel,Fernando Maurício e a Amália e foi o guitarrista privativo do Paulo de Carvalho. Foi pioneiro em utilizar a guitarra de Coimbra (com a afinação Si,Lá,Mi,Si,Lá,Ré) no fado Lisboeta mas foi o seu enorme talento e dedilhar à moda antiga que o distingue como um excelente executante das doze cordas. Alcino Frazão gravou apenas um disco em que apresentou duas composições de sua própria autoria: Portugalícia e Improviso em Ré. Faleceu num acidente de viação próximo de Cascais em 1988 e foi considerado o melhor guitarrista da sua geração."

(Blog O fado de Lisboa)



Para os amigos portugueses e galegos








viernes, 8 de abril de 2016

Roberto Goyeneche - La última curda




Astor Piazzolla: bandoneón. Roberto Goyeneche: voz. Aníbal Troilo: música. Cátulo Castillo: letra. Sara Facio: fotografía. Teatro Regina,1982.






Praga vista por Florian Afflerbach



Praga en una acuarela de Florian Aflerbach.




Página de Florian Afflerbach en Flickr.




Rainer Maria Rilke - La pantera


Recitado en alemán por Fritz Stavenhagen




LA PANTERA

Su vista está cansada del desfile
de las rejas, y ya nada retiene.
Las rejas se le hacen innumerables,
y el mundo se le acaba tras las rejas.

Blando andar de flexibles fuertes pasos,
y girar en el más pequeño círculo
como danza de una fuerza por un centro,
en que su voluntad se halla aturdida.

Sólo a veces se alza mudo el telón
de sus pupilas. Luego entra una imagen,
va por la tensa calma de sus miembros
y se extingue al llegar al corazón.

Rainer Maria Rilke

(Versión de Jaime Ferreiro Alemparte)


DER PANTHER

Sein Blick ist vom Vorübergehn der Stäbe
so müd geworden, dass er nichts mehr hält.
Ihm ist, als ob es tausend Stäbe gäbe
und hinter tausend Stäben keine Welt.

Der weiche Gang geschmeidig starker Schritte,
der sich im allerkleinsten Kreise dreht,
ist wie ein Tanz von Kraft um eine Mitte,
in der betäubt ein großer Wille steht.

Nur manchmal schiebt der Vorhang der Pupille
sich lautlos auf -. Dann geht ein Bild hinein,
geht durch der Glieder angespannte Stille -
und hört im Herzen auf zu sein.




Corto de animación inspirado libremente en el poema de Rilke



miércoles, 6 de abril de 2016

Ella Fitzgerald + Frank Sinatra - You Do Something To Me

















Cervantes - Diálogo entre Babieca y Rocinante





DIÁLOGO ENTRE BABIECA Y ROCINANTE

-¿Cómo estáis, Rocinante, tan delgado?
-Porque nunca se come, y se trabaja.
-Pues ¿qué es de la cebada y de la paja?
-No me deja mi amo ni un bocado.
-Anda, señor que estáis muy mal criado,
pues vuestra lengua de asno al amo ultraja.
-Asno se es de la cuna a la mortaja.
¿Queréislo ver? Miradlo enamorado.
-¿Es necedad amar? -No es gran prudencia.
-Metafísico estáis. -Es que no como.
-Quejaos del escudero. -No es bastante.
¿Cómo me he de quejar en mi dolencia,
si el amo y escudero o mayordomo
son tan rocines como Rocinante?

Cervantes