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el sabroso oficio / del dulce mirar GóngoraWie schwer es ist, die Schönheit zu begreifen! Günter Eich

lunes, 16 de enero de 2017

Baudelaire - "La douceur qui fascine et le plaisir qui tue"



Volviendo a ver Cinema Paradiso, me vino a la cabeza este verso de Baudelaire, cuando apareció el personaje de Elena, interpretado por Agnese Nano:


La douceur qui fascine et le plaisir qui tue



A UNE PASSANTE

La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet ;

Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.

Un éclair... puis la nuit ! - Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité ?

Ailleurs, bien loin d'ici ! trop tard ! jamais peut-être !
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais !

Charles Baudelaire


Les Fleurs du mal (1857)


A UNA MUJER QUE PASA

La calle atronadora aullaba en torno mío.
Alta, esbelta, enlutada, con un dolor majestuoso
una dama pasó, recogiendo con mano fastuosa
las oscilantes vueltas de sus velos,

ligera y distinguida, con piernas de estatua.
De súbito bebí, crispado como un loco,
de su mirada lívida, donde germina el huracán,
la dulzura fascinante y el placer que aniquila.

¡Un relámpago… después la noche! Fugitiva belleza
cuya mirada me hizo, de un golpe, renacer.
¿Salvo en la eternidad, no he de verte jamás?

¡En todo caso lejos, ya tarde, tal vez nunca!
Que no sé a dónde huiste, ni sospechas mi ruta,
¡tú a quien yo hubiese amado; oh tú, que lo sabías!


(Traducción, aquí)




2 comentarios:

Francesc Cornadó dijo...

"una mujer que pasa" es un tema recurrente en la poesía, hay ejemplos bellísimos, el de Baudelaire es un ejemplo de ello. La belleza fugaz, el relámpago, la visión de Beatrice al pasar el puente... estimulan al poeta que queda prendado en el halo efímero, todo en contraste con una realidad monolítica.
Saludos
Francesc Cornadó

El transcriptor dijo...

"Die Schönheit, die geht vorüber", Francesc...

Con influencia de Baudelaire, te dejo aquí este poema de uno de los principales poetas portugueses del siglo XIX, Cesário Verde.

Saludos,
Pedro



A DÉBIL

Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te, sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso.
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura.
Nesta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.

E, quando socorreste um miserável,
Eu que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudável.

«Ela aí vem!» disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, - talvez não o suspeites!-
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.

Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça.
Uma turba ruidosa, negra, espessa,
Voltava das exéquias dum monarca.

Adorável! Tu muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado;
Avultava, num largo arborizado,
Uma estátua de rei num pedestal.

Sorriam, nos seus trens, os titulares;
E ao claro sol, guardava-te, no entanto,
A tua boa mãe, que te ama tanto,
Que não te morrerá sem te casares!

Soberbo dia! Impunha-me respeito
A limpidez do teu semblante grego;
E uma família, um ninho de sossego,
Desejava beijar sobre o teu peito.

Com elegância e sem ostentação,
Atravessavas branca, esbelta e fina,
Uma chusma de padres de batina,
E de altos funcionários da nação.

"Mas se a atropela o povo turbulento!
Se fosse, por acaso, ali pisada!"
De repente, paraste embaraçada
Ao pé dum numeroso ajuntamento.

E eu, que urdia estes fáceis esbocetos,
Julguei ver, com a vista de poeta,
Uma pombinha tímida e quieta
Num bando ameaçador de corvos pretos.

E foi, então, que eu, homem varonil,
Quis dedicar-te a minha pobre vida,
A ti, que és tênue, dócil, recolhida,
Eu, que sou hábil, prático, viril.