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el sabroso oficio / del dulce mirar Góngora – ¡Qué difícil es entender la belleza! Günter Eich

martes, 31 de octubre de 2017

Caetano Veloso - Ele me deu um beijo na boca


Nomes, Cores (1982)



ELE ME DEU UM BEIJO NA BOCA

Ele me deu um beijo na boca e me disse
A vida é oca como a toca
De um bebê sem cabeça
E eu ri à beça
E ele: como uma toca de raposa bêbada
E eu disse: chega da sua conversa
De poça sem fundo
Eu sei que o mundo
É um fluxo sem leito
E e só no oco do seu peito
Que corre um rio
Mas ele concordou que a vida é boa
Embora seja apenas a coroa :
A cara é o vazio
E ele riu e riu e ria
E eu disse: Basta de filosofia
A mim me bastava que o prefeito desse um jeito
Na cidade da Bahia
Esse feito afetaria toda a gente da terra
E nós veríamos nascer uma paz quente
Os filhos da guerra fria
Seria um anticidente
Como uma rima
Desativando a trama daquela profecia
Que o Vicente me contou
Segundo a Astronomia
Que em Novembro do ano que inicia
Sete astros se alinharão em escorpião
Como só no dia da bomba de Hiroshima
E ele me olhou
De cima e disse assim pra mim
Delfim, Margareth Tatcher, Menahem Begin
Política é o fim
E a crítica que não toque na poesia
O Time Magazine quer dizer que os Rolling Stones
Já não cabem no mundo do Time Magazine
Mas eu digo (Ele disse)
Que o que já não cabe é o Time Magazine
No mundo dos Rollings Stones Forever Rockin´And Rolling
Por que forjar desprezo pelo vivos
E fomentar desejos reativos
Apaches, Punks, Existencialistas, Hippies, Beatniks
De todos os Tempos uni-vos
E eu disse sim, mas sim, mas não nem isso
Apenas alguns santos, se tantos, nos seus cantos
E sozinhos
Mas ele me falou: Você tá triste
Porque a tua dama te abandona
E você não resiste, Quando ela surge
Ela vem e instaura o seu cosmético caótico
Você começa a olhar com olho gótico
De cristão legítimo
Mas eu sou preto, meu nego
Eu sei que isso não nega e até ativa
O velho ritmo mulato
E o leão ruge
O fato é que há um istmo
Entre meus Deus
E seus Deuses
Eu sou do clã do Djavan
Você é fã do Donato
E não nos interessa a tripe cristã
De Dylan Zimmerman
E ele ainda diria mais
Mas a canção tem que acabar
E eu respondi:
O Deus que você sente é o deus dos santos:
A superfície iridescente da bola oca,
Meus deuses são cabeças de bebês sem touca
Era um momento sem medo e sem desejo
Ele me deu um beijo na boca
E eu correspondi àquele beijo




Carlos Drummond de Andrade - "No meio do caminho"



Vídeo: Carlos Dummond de Andrade recitando o famoso poema No meio do caminho em vídeo interpretado por Miguel Drummond, bisneto do poeta. Produzido por Ondaalta & Girafone.


Los amantes de la poesía brasileños celebran hoy, 31 de octubre, el Dia D, dedicado a Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31-10-1902, Río de Janeiro, 17-8-1987). Y el poema No meio do caminho es muy, muy conocido en Brasil.


NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade, Revista de Antropofagia (1928)



EN MEDIO DEL CAMINO

En medio del camino había una piedra
había una piedra en medio del camino
había una piedra
en medio del camino había una piedra

Nunca me olvidaré de ese acontecimiento
en la vida de mis retinas tan fatigadas
Nunca me olvidaré que en medio del camino
había una piedra
había una piedra en medio del camino
en medio del camino había una piedra


O poema, publicado posteriormente no livro "Alguma Poesia" (1930), causou um verdadeiro escândalo na imprensa da época, provocando ataques ferrenhos ao autor por críticos que se negavam sequer a considerar poesia aquele texto ousadamente estruturado na repetição e numa construção lingüística simples, coloquial, que afirma a fala popular “tinha uma pedra” em detrimento da forma culta “havia uma pedra”.

Depois dos vários ataques da crítica, o próprio Drummond afirma “sou o autor confesso de certo poema, insignificante em si, mas que a partir de 1928 vem escandalizando meu tempo, e serve até hoje para dividir no Brasil as pessoas em duas categorias mentais". Apesar de Drummond nunca ter esclarecido quais seriam essas “duas categorias mentais”, fica claro o impacto do poema diante da opinião pública da época, que sentiu-se obrigada a parar diante daquela pedra no meio do caminho e expressar seu posicionamento com relação a ela - ou entusiasticamente favorável, como se mantiveram os modernistas e simpatizantes, ou radicalmente contra, como a maioria da crítica literária conservadora da época. Aliás, até hoje, a pedra drummondiana permanece impassível e desafiadora, na sua mudez de minério, a fomentar questões, estudos e paixões nos caminhos dos admiradores e estudiosos da obra do poeta.

Andrea Barros, em Carlos Drummond de Andrade: modernismo e a pedra no caminho


Para amantes de los idiomas: en el siguiente vídeo escuchamos la lectura de este poema en portugués, inglés, hebreo, danés, francés, holandés, italiano, húngaro, alemán, latín, español y tupí.

(Vídeo produzido por el Instituto Moreira Salles para el lanzamiento del libro Uma Pedra no Meio do Caminho: Biografia de um poema)










lunes, 30 de octubre de 2017

Robert Wyatt - Shipbuilding





Robert Wyatt, Nothing Can Stop Us (1982)





"En el espejo..."




En el espejo,
el otoño y uno como yo
que no soy yo.


Escrito por un niño de 7 años.


Leído en La inocencia del haiku. Selección de poetas japoneses menores de 12 años. Compilación de Vicente Haya. Vaso Roto Ediciones, 2012.



Fotografía de Nami Yamaguchi.




domingo, 29 de octubre de 2017

Carminho & Milton Nascimento - Cais



Otro recuerdo para Milton Nascimento, que cumplió 75 años el pasado día 26.

Con acento brasileño y con acento portugués, Milton Nascimento y Carminho cantan una de las composiciones míticas del primero.


CAIS

Para quem quer se soltar invento o cais
Invento mais que a solidão me dá
Invento lua nova a clarear
Invento o amor e sei a dor de me lançar
Eu queria ser feliz
Invento o mar
Invento em mim o sonhador
Para quem quer me seguir eu quero mais
Tenho o caminho do que sempre quis
E um saveiro pronto pra partir
Invento o cais
E sei a vez de me lançar






Y aquí, tras la versión en dúo, "Cais" de Milton Nascimento (Clube da Esquina, 1972)



Pedro Jóia - Variações em Mi Menor





Pedro Jóia, "Variações em Mi Menor", del album Variações sobre Carlos Paredes (2001)






Alberto García-Alix - Autorretrato en la Alhambra (1989)



(Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía)



John Gutmann - Pelo largo (1937)










sábado, 28 de octubre de 2017

viernes, 27 de octubre de 2017

Una foto de Erwin Olaf









Coltrane + Evans & Hall - I Hear a Rapsody





Una más rápida, otra más lenta... John Coltrane,  por un lado, y Bill Evans con Jim Hall,  por el otro.





Bill Evans & Jim Hall




Manuel da Fonseca - "Segundo poema da infância"




SEGUNDO POEMA DA INFÂNCIA

Quando foi que demorei os olhos
sobre os seios nascendo debaixo das blusas,
das raparigas que vinham, à tarde, brincar comigo?...
... Como nasci poeta
devia ter sido muito antes que as mães se apercebessem disso
e fizessem mais largas as blusas para as suas meninas.
Quando, não sei ao certo.

Mas a história dos peitos, debaixo das blusas,
foi um grande mistério.
Tão grande
que eu corria até ao cansaço.
E jogava pedradas a coisas impossíveis de tocar,
como sejam os pássaros quando passam voando.

E desafiava,
sem razão aparente,
rapazes muito mais velhos e fortes!
E uma vez,
de cima de um telhado,
joguei uma pedrada tão certeira
que levou o chapéu do Senhor Administrador!
Em toda a vila
se falou logo num caso de política;
O Senhor Administrador
mandou vir da cidade uma pistola,
que mostrava, nos cafés, a quem a queria ver;
e os do partido contrário
deixaram crescer o musgo nos telhados
com medo daquela raiva de tiros para o céu...

Tal era o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas!

Manuel da Fonseca



Manuel Lopes Fonseca, mais conhecido como Manuel da Fonseca (1911 -1993) foi um escritor (poeta, contista, romancista e cronista) português.



(Fotografía: a luz alongada, Santiago do Cacém, de Américo Meira. En esta villa alentejana creció Manuel da Fonseca)



jueves, 26 de octubre de 2017

Parabéns, Milton!




El cantante brasileño Milton Nascimento cumple hoy 75 años y desde aquí lo felicitamos. Tantos años escuchando su música... Parabéns, Milton! 


CHOVE LÁ FORA

A noite está tão fria,
chove lá fora,
e essa saudade enjoada
não vai embora.

Queria compreender porque partiste,
queria que soubesses como estou triste.

E a chuva continua
mais forte ainda,
só Deus pode entender como é infinda,
a dor de não saber,
saber lá fora, onde estás, como estás
com quem estás agora.





Milton Nascimento, Som Imaginário e Orquestra. "Chove lá fora" (Tito Madi) , "Milagre dos peixes - ao vivo" - Gravado no Teatro Municipal de São Paulo em 7 e 8 de Maio de 1974



Otra canción de Milton: "Caçador de mim". ¿Y esta beleza de su primer disco, en 1967? "Travessia"





Berenice Abbott, la fotografía, el presente, el pasado

Berenice Abbott fotografiada por Man Ray


  • La fotografía sólo puede representar el presente. Una vez fotografiado, la fotografía se convierte en pasado.

  • El fotógrafo crea, desarrolla una visión mejor, más selectiva, más aguda mirando cada vez más detalladamente lo que sucede en el mundo.

  • El fotógrafo es el ser contemporáneo por excelencia; a través de su mirada el ahora se vuelve pasado.


Berenice Abbott
(1898 - 1991)



Max Ernst fotografiado por Berenice Abbott (1931)



Berenice Abbott fotografiada por Hank O'Neal,  NY (1979)



"Berenice Abbott, la fotografía como forma de detener el tiempo" (gràffica, julio 2016)


"La increíble historia de la fotógrafa Berenice Abbott", (El País, marzo 2012)




El tiempo, según Lec y Zagajewski





El tiempo, la materia prima, la más importante.

Stanisław Jerzy Lec



El tiempo mantuvo su palabra (siempre la mantiene).

Carpe Diem. Atrapa el día, pero cuando por la tarde miró a su presa, vio la noche.

Adam Zagajewski





(Fotografía: Laurent Scheinfeld - Flickr)


miércoles, 25 de octubre de 2017

Una foto de Bharat Sikka




Bharat Sikka es un fotógrafo indio (nacido en 1973, vive en Nueva Delhi) que ha estableciendo un enfoque artístico en el campo de la fotografía, desarrollando proyectos de fotografía documental, con el foco en la cultura y la gente de la India, los paisajes urbanos y de los barrios periféricos, así como un proyecto personal sobre su familia.


De Cada día un fotógrafo



Página de Bharat Sikka



Julio Llamazares - Noroeste



NOROESTE

Mi paisano Antonio Pereira, autor de cuentos magníficos y dueño de un sentido del humor que uno no ha vuelto a encontrar muchas veces, usaba siempre el término Noroeste para referirse a esa región cultural y suprapolítica con la que se sentía identificado tanto como persona como escritor; una región que coincidiría con el primitivo reino de León, que integraba en un mismo territorio las actuales regiones de Galicia, Asturias, las tres provincias leonesas (León, Zamora y Salamanca) y el norte de Portugal. El Noroeste nombraría así para Antonio Pereira ese espacio mítico que la literatura de los escritores nacidos en él se arraigaría culturalmente con independencia de su nacionalidad.

Como nacido en el Noroeste comparto plenamente con Pereira esa geografía con la que se identificaron también autores como Cunqueiro, Ánxel Fole, los poetas y gaiteros de La Raya, el salmantino de adopción Miguel de Unamuno o el portugués Miguel Torga y por ello no me resulta extraña, como no me resulta extraño escuchar hablar de ella en los medios de comunicación. Normalmente, por desgracia, para mal, como estos días a propósito de los incendios que asolan parte de ese territorio que trasciende a las regiones y provincias, incluso a los dos países que participan de él. Como siempre, ha tenido que ocurrir una tragedia para que los medios de comunicación de un lado y otro de La Raya se refieran a él cumplidamente.

Acostumbrados desde hace años a que la actualidad política española se concentre en Madrid, el País Vasco y Cataluña y a que las noticias generalistas se refieran mayoritariamente, aparte de a esas tres comunidades, a las del arco mediterráneo y Andalucía, los españoles nos hemos acostumbrado también a que el Noroeste de España sea un territorio muerto desde el punto de vista informativo. Solamente cuando pasa una desgracia la prensa y las televisiones se ocupan, como ahora, de esa geografía remota, ignota y abandonada no solo desde el punto de vista demográfico y social sino política e informativamente. Ese abandono es precisamente la causa de los acontecimientos que a veces suceden en él y que tienen que ver con la despoblación, la falta de comunicaciones y la invisibilidad misma. Mientras los medios de información se fijan únicamente en lo que ocurre en Madrid y en Cataluña en este momento (antes lo fue en el País Vasco) y, a nivel social y económico, en las regiones mediterráneas y en Andalucía, el Noroeste de la Península, esa región que ni siquiera existe en la realidad, seguirá ardiendo en la invisibilidad cuando se apaguen todos los incendios que la asolan estos días ante la perplejidad de todos.

Julio Llamazares


Gracias al amigo Paco por enviarme este artículo, aparecido en el Babelia del último sábado. Se me pasó. Y como zamorano de nacencia y salmantino de adopción, no puedo por menos que suscribirlo.




Saigyō Hōshi - "Pétalos de cerezo caen..."




Pétalos de cerezo caen.
¿Es belleza o ilusión?
Muere este mundo frágil.

Saigyō Hōshi, 1118-1190


(Leído en La sombra)






(Cerezo florecido en una noche de luna, de Ohara Koson - *)



martes, 24 de octubre de 2017

Una foto de Martha Holmes (1945)




Martha Holmes - A young woman reading in her room, La Quinta, California, December 1945.




Marlene Dietrich - Otra versión de 'Want to buy some illusions?'




Composición de Friedrich Hollaender, que ya escuchamos aquí el pasado diciembre, interpretada así mismo por Marlene Dietrich. Esta canción formaba parte de la banda sonora de A Foreign Affair (1948).


WANT TO BUY SOME ILLUSIONS?

Want to buy some illusions
Slightly used, second-hand?
They were lovely illusions,
Reaching high, built on sand.
They had a touch of paradise,
A spell you can't explain,
For in this crazy paradise
You are in love with pain.

Want to buy some illusions
Slightly used, just like new?
Such romantic illusions,
And they're all about you.
Too bad they all fell apart
Like dreams often do.
They were lovely illusions,
But they just wouldn't come true.

Slightly used, just like new,
Such romantic illusions
And they're all about you.
I'd sell them all for a penny,
They make pretty souvenirs.
Take my lovely illusions,
Some for laughs, some for tears.


Una magnífica versión interpretada en directo por Marianne Faithfull, acompañada solo al piano. La versión de Ute Lemper ha sido eliminada de YouTube. Una lástima.



Jeanne Mammen - 'La Garçonne' (ca. 1931)









lunes, 23 de octubre de 2017

Jacqueline du Pré - Siciliana, de Maria Theresia von Paradis



Con un poquito de retraso, recordamos a la chelista inglesa Jacqueline du Pré (1945 - 1987) que murió el 19 de octubre de hace treinta años, tras catorce alejada de la música debido a una esclerosis múltiple.

Ella y Gerald Moore al piano, interpretan la Siciliana, de Maria Theresia von Paradis.




"Jacqueline du Pré, desgracia y belleza de una violonchelista irrepetible" (El País, 19-10-17)



"Jacqueline du Pré - Adagio de Elgar"



Barry Lowman - "Naples is Bonkers!!"




Barry Lowman, Naples is Bonkers!!



(bonkers - AE. slang: very enthusiastic; crazy)




Vittorio Gassman - "Napoli è la più nordica delle città africane"



Napoli è la più nordica delle città africane.

Vittorio Gassman


("Nápoles es la más nórdica de las ciudades africanas")





(Fotografía de Paolo Viviani - Vicolo Cacciottoli al Vomero)



Pedro Casariego Córdoba - Señora Morris




[SEÑORA MORRIS]

¡Qué bella es usted, señora Morris!
Permítame que le diga que he visto miles de mujeres, señora Morris:
mujeres compactas como una buena bola de nieve comprimida,
mujeres tan decididas como un partido de los Harlem Globe Trotters,
mujeres esquimales que yo imagino con olor a caribú,
mujeres de maneras tan distantes como Nueva Zelanda de mis pies,
mujeres que desearían presidir la General Motors
con gafas de montura metálica y un puro cubano sobre la hoja del balance,
mujeres discretas a modo de corto papel secundário en una gran película,
mujeres muy robustas que parecen alimentadas con eficaces piensos "Sanders",
mujeres que apoyan a la O.T.A.N. y entienden de política exterior,
mujeres que solo recuerdan aquello que no ha sucedido,
mujeres que saben más que Kanr, Descartes y Einstein formando equipo,
mujeres mordaces que al hablar golpean con las dos manos,
pequeñas Rocky Marciano del lenguaje oral,
mujeres que bailan entre palmera y estatua griega,
mujeres senadoras que ignoran que la luna es unicamente un aro de baloncesto más
para que se entrenen Collins, Glenn, Aldrin y también los rusos,
mujeres mejicanas, mujeres mecanógrafas, mujeres traductoras,
mujeres "de langosta y Coca-Cola" en decenas de puntos geográficos,
¡pero usted si que es bella, señora Morris,
bajo sus quinientos mil dólares de renta anual!

Pedro Casariego Córdoba

(enero de 1977)



(Fotografía: Angie Dicksinson por Angelo Frontoni)



domingo, 22 de octubre de 2017

Adiós a Federico Luppi




Adiós a un gran actor, Federico Luppi, con un fragmento de una de sus mejores películas, Un lugar en el mundo (1992), de Adolfo Aristarain.






Una foto de Jaroslav Rössler (1929)




Jaroslav Rössler (nacido en Smilov (Bohemia) en 1902 y fallecido en Praga en 1990) fue el primer fotógrafo vanguardista checo, miembro del club Devětsil.


Cada día un fotógrafo






Nena Venetsanou - Απόψε μ' εγκατέλειψες / Anoche me dejaste



Νένα Βενετσάνου - Απόψε μ' εγκατέλειψες. Una vieja amiga del blog, Nena Venetsanou, canta Anoche me dejaste.








(Fotografía de Pamela Machado)




sábado, 21 de octubre de 2017

Monica Bellucci vista por Bettina Rheims






Otra fotografía de la misma sesión.





Sonny Rollins Quartet - On a Slow Boat to China (1951)





Sonny Rollins (saxo tenor), Kenny Drew (piano), Percy Heath (bajo), Art Blakey (batería).



Y ahora en forma de canción. Del disco Easy Living (1986), Ella Fitzgerald y Joe Pass mano a mano.








viernes, 20 de octubre de 2017

Julio Romero de Torres - Lectura




Julio Romero de Torres, Lectura (c. 1901)





(Reina Sofía)




Escher Quartet - La muerte y la doncella, 1er mov., Allegro, Schubert






String Quartet No. 14 in D minor, D810 ("Death and the Maiden") by Franz Schubert - I. Allegro.
Performed live by the Escher String Quartet in Brooklyn Classical's studio.


Aquí, "Scherzo de 'La muerte y la doncella' de Schubert"



(Fotografía de Alllison Scarpulla)


Vladimir Holan - Eva




EVA

A Maria Tomasova


Fue cuando el vino nuevo... El otoño
había tejido ya el mimbre en torno a las botellas,
y la serpiente, no encima de la piedra, sino debajo del brezo,
yacía sobre el vientre cubriéndose con su dorso.

"La belleza destruye el amor, el amor la belleza ", me dijo
y del mismo modo que antaño se sacrificaba a las diosas de
aquí y allá
un número impar de víctimas,
ella pensaba entonces nada más en sí misma,
imaginando con indiferencia
la eternidad sin inmortalidad...

Era tan hermosa que si alguien me hubiera preguntado
por dónde había ido con ella, no hubiera, sin duda, hablado
de paisajes
(a no ser que sintiera la impotencia de las palabras
y que sólo hiciera posible deletrear el silencio
la lluvia que cae en los presidios).
Era tan hermosa que quise
vivir de nuevo, pero de un modo distinto.
Era tan hermosa que en el fondo de mi delirante amor
me esperaba todavía íntegra toda la locura...

Vladimir Holan


Versión de Clara Janés en Dolor (Vladimir Holan). poesía Hiperión, 2ª ed. 2001.




jueves, 19 de octubre de 2017

Manuel António Pina - "A cabeça no ar"





A CABEÇA NO AR

As coisas melhores são feitas no ar,
andar nas nuvens, devanear,
voar, sonhar, falar no ar,
fazer castelos no ar
e ir lá para dentro morar,
ou então estar em qualquer sítio só a estar,
a respiração a respirar,
o coração a pulsar,
o sangue a sangrar,
a imaginação a imaginar,
os olhos a olhar
(embora sem ver),
e ficar muito quietinho a ser,
os tecidos a tecer,
os cabelos a crescer.
E isso tudo a saber
que isto tudo está a acontecer!
As coisas melhores são de ar
só é preciso abrir os olhos e olhar,
basta respirar.


Um poema de Manuel António Pina in «O pássaro da cabeça», Quasi Edições, 2005.

"O Pássaro da Cabeça reúne diversos poemas infantis de Manuel António Pina, incluindo alguns publicados em outros livros seus, como Gigões & Anantes e O Têpluquê e Outras Histórias, acompanhados pelas magníficas imagens realizadas pela pintora Ilda David."

(Livraria Bertrand)




Chagall y Debussy

Clair de lune (1926)





Paul Crossley


Suite Bergamasque, escrita en 1890, pero publicada en 1905.




Manuel António Pina - El muerto



Hoy se cumplen cinco años de la muerte del escritor, periodista y poeta portugués Manuel António Pina, que recibió el Prémio Camões (equivalente a nuestro Cervantes) en 2011. Hay varios poemas suyos en el blog. Un poeta al que vale la pena conocer.


EL MUERTO

El Horror canta detrás de mí.
(¿Quién me cantaba así?)
Un muerto sueña mi vida,
vive en mi casa, come mi comida.

¡Tan deprisa se perdieron
las cosas más secretas!
Fluye el oro de la sangre para siempre
y ya no soy el mismo ni diferente.


De su libro Nenhum Sítio (1984), in Todas as palavras. poesia reunida (Manuel António Pina). Assírio & Alvim, 3ª ed. 2013.


Traducido por El transcriptor



O MORTO

O Horror canta atrás de mim.
(Quem me cantava assim?)
Um morto sonha a minha vida,
vive na minha casa, come a minha comida.

Tão depressa se perderam
as coisas mais secretas!
Flui o oiro do sangue para sempre
e já não sou o mesmo nem diferente.



(Fotografía de tanakawho)



miércoles, 18 de octubre de 2017

Una fotógrafa retratada por un fotógrafo

Bryan Schutmaat - Katy Grannan for Financial Times



"Katy Grannan considers her pictures to be portraits. If they are, why title them all ’anonymous’? Part of the answer lies in the fact that they have all agreed to be photographed; she has tipped her hand, relinquishing the power of the candid shot of the street photographer for a risky collaborative portrait session.This might have given guarded results, but happily the complicity has produced images of raw power.

While not denying the label ’portraits’, I question the designation because it doesn’t quite do justice to the pictures. They are really not so much about individuals as about the range of prideful individuality among human beings, and their common fate, symbolized, I think, by that ubiquitous white wall. Grannan accepts that each person has a rich history, with its victories and defeats, which a single image can only hint at, but it’s the sum total of her portraits that gives this work its power. Caught in the blinding glare of the California sun, restless and worn yet often possessed of fierce pride, the figures stand, shift, turn, look away – resigned to the next throw of the dice while not holding out much hope that it will go their way."

Text by William A Ewing


Saaatchi Gallery


Página de Katy Grannan



Jesús Hilario Tundidor - Azul oscuro




AZUL OSCURO


A mi abuelo Roque, ferroviario


Deja tu lámpara en el suelo, dije
a quien iba cansado, apaleado
hasta no poder más con la esperanza.
No conocía cómo
la reciprocidad, las cosas y los hombres
tienen su signo, su desahucio
y su muerte, y su hermandad en el conocimiento.
Aquel bulto sabía. Yacente allí sabía. Mientras
yo en vano iba buscando una palabra
él generoso me ofreció los signos:
"Stehen transportieren".
El bulto aquél aquella noche de
Medina del Campo, campeador y símbolo,
si no clarividencia unido a la palabra
guardafrenero o guardavías —vía
o vida— me concedió la sola
posesión de la aguja, y fue ya fácil
hacer costura por la luz hundido
en la estameña dura de mi patria.

Deja tu lámpara en el suelo dije,
todo es mentira, es
mentira. Deja
tu corazón sobre ese riel con lluvia,
cede a la noche tu cansancio y duerme.
Tú estarás solo y estás solo. Mira
la lluvia, flor hermosa, doncella
también en soledad que ahora te acoge
y te acaricia y besa
dulcemente el universo de tu carbonilla.
Grave y solemne fue nuestro pecado:
la vida ahí, de frente, la ternura
de frente, y la venida
y la ida, de frente y para nada,
Ay, Stehen transportieren, ¿quién que nunca
pensó en caer cayó, cambió la pobre
moneda, dijo: sólo
tened costumbre, haceros
fuertes, pisad la tierra, comed y alimentaros?

Poco de menos o de más sería.
Ahora descansa, duerme, camarada,
lleno de ardor en cinta y cumbre triste
has vivido, la lámpara aposenta, tira al suelo
tu larga vigilancia, tu cansancio
que nada concedió. Ahora ya sabes
que es mejor hoy morir que un largo olvido"

¿Quién recuerda, quién dice
que fue verdad lo que no fue memoria?
Todo
fue un cruel sortilegio, álamos
y gorriones, y tarde azul junto a los trigos vives.
No hay noche ya, ni madrugada, ni
otra estación ni tren que el de tu vida.

Jesús Hilario Tundidor


De su libro Pasiono (1972)




(Fotografía de Joaquín Márquez Correa)




martes, 17 de octubre de 2017

La magia de Edward Steichen












No caigo ahora en el nombre de la actriz que aparece entre Marlene Dietrich y Katharine Hepburn. ¿Norma Shearer?


PD. Oh, casualidad. Acabo de enterarme. Es Gertrude Lawrence en 1929. Ni idea.






Jacqueline Bisset en blanco y negro









Recordamos a Luiz Bonfá



¿Quién no ha cantado o tarareado alguna vez Manhã de Carnaval?

Luiz Floriano Bonfá (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1922 — Rio de Janeiro, 12 de janeiro de 2001) foi um cantor, violonista e compositor brasileiro.

(Wikipédia)











" Canciones brasileñas de una película italiana en Río"




lunes, 16 de octubre de 2017

Stephen Salmieri - Carmen (1972)






Egon Schiele










Adam Zagajewski - Banderas




BANDERAS

Banderas, abrigos donde naciones
cansadas, negras por falta de sueños, vivaquean,
banderas, arrugadas sábanas de héroes,
banderas, dejad ya de taparnos los ojos,

volved a vuestros campos de algodón ,
volved a Asia.
¿No sabéis
que se acerca la noche
y que se inquieta un tornado
de estrellas y lentejuelas?

Adam Zagajewski


Tierra de fuego  (1ª ed. original, 1997; 1ª ed. en castellano en Acantilado, 2004; 1ª reimpresión, 2017), Traducción de Xavier Farré.




Internet Archive Book Images. Image from page 218 of "The World book : organized knowledge in story and picture" (1918)


domingo, 15 de octubre de 2017

Anton Webern - Langsamer Satz




Movimiento lento, de Anton Webern (1883 - 1945)


Zorá String Quartet

Dechopol Kowintaweewat, violín
Seula Lee, violín
Pablo Muñoz Salido, viola
Zizai Ning, chelo




Friedrich Nietzsche - Escribir con los pies



Y el 15 de octubre también, pero de 1844, nació Friedrich Nietzsche... Escribir versos mientras se camina por el campo: Nietzsche, y García Calvo, y Claudio Rodríguez, y tantos otros.


Escribir con los pies

No escribo sólo con la mano:
el pie siempre quiere escribir también.
Firme, libre y valiente corre
ya por el campo, ya por el papel.


De La gaya ciencia



Mit dem Fuße schreiben

Ich schreib nicht mit der Hand allein:
Der Fuß will stets mit Schreiber sein.
Fest, frei und tapfer läuft er mir
Bald durch das Feld, bald durchs Papier.


Die fröhliche Wissenschaft (1882)



Agustín García Calvo - "¿No lo oís? Es el tiempo, que corre..."



El 15 de octubre de 1926 nació Agustín García Calvo en Zamora, la bien cercada, y murió en Madrid el 1 de noviembre de hace cinco años.


¿No lo oís? Es el tiempo, que corre,
que sopla, que azuza,
que silba y se arremolina,
por las puntas de los cipreses,
por las calles donde los hombres
compran y venden.
¿Dónde han ido las rosas de antaño?
¿Dónde está la casa de adobes
de los abuelos? Todo,
todo arrastra. Subid
arriba a las torres,
si queréis oírlo
su aullido, su silbo
con que junta en rebaño las nubes,
su canto destemplado,
y gritar, preguntarle
dónde los ha llevado:
¿dónde nos llevas, tiempo,
oh tiempo cierzo,
tiempo del Norte, tiempo
huracanado?
¿Dónde la madre aquella
que ya, que no,
que cómo se llamaba?
Los nombres vanos
se arrojan como cáscaras,
y los arrastra el tiempo
por las cañadas, por los bosques
de fresnos y de hayas
¿adónde? ¿Adónde
las hojas por la tierra,
las muertes de oro
innumerables,
los verdes cuerpos
de los faunos y dríades
antiguas marchitos,
amarillos, adónde?
¿Dónde? ¿Dónde? Ya basta:
¿para qué más abono
a la tierra?, ¿porqué
nuevas hojas, nueva
primavera a la rama?
Sopla, salvaje, aliento
del valle de la muerte:
que te oiga al menos
silbar en mis oídos,
en mis entrañas,
no pensar que todo va bien,
que la mar en calma,
que vamos tirando,
que la vida
dulcemente se pasa.
Hijos de muerte, ¿sentís
cómo os ciega de polvo los ojos,
cómo os roe la piel de la cara?
Silba, Aquilón, y dinos
adónde los llevas,
para quién arrancas
los negros cabellos
de estas sienes amargas:
¿adónde los dientes tan firmes?,
¿adónde las ingles doradas?
¿Adónde los caballitos
del tiovivo? ¿Adónde
la novia de labios humildes
como leche? Y aquel
muchacho que cantaba
“¿Dónde me llevas, tiempo?”
¿dónde se ha ido? ¿En dónde,
oh Tiempo, pára?

Agustín García Calvo



De su libro Más canciones y soliloquios, Editorial Lucina, Zamora,  1988.




(Fotografía de Roberto Pireddu)



sábado, 14 de octubre de 2017

Dulces sueños, Françoise...









(hauntedbystorytelling)



Jaime Gil de Biedma 'revisited'




NOCHE TRISTE DE OCTUBRE, 1959

Definitivamente parece confirmarse que este invierno
que viene, será duro.

Adelantaron
las lluvias, y el Gobierno,
reunido en consejo de ministros,
no se sabe si estudia a estas horas
el subsidio de paro
o el derecho al despido,
o si sencillamente, aislado en un océano,
se limita a esperar que la tormenta pase
y llegue el día, el día en que, por fin,
las cosas dejen de venir mal dadas.

En la noche de octubre,
mientras leo entre líneas el periódico,
me he parado a escuchar el latido
del silencio en mi cuarto, las conversaciones
de los vecinos acostándose,
todos esos rumores
que recobran de pronto una vida
y un significado propio, misterioso.

Y he pensado en los miles de seres humanos,
hombres y mujeres que en este mismo instante,
con el primer escalofrío,
han vuelto a preguntarse por sus preocupaciones,
por su fatiga anticipada,
por su ansiedad para este invierno,
mientras que afuera llueve.

Por todo el litoral de Cataluña llueve
con verdadera crueldad, con humo y nubes bajas,
ennegreciendo muros,
goteando fábricas, filtrándose
en los talleres mal iluminados.

Y el agua arrastra hacia la mar semillas
incipientes, mezcladas en el barro,
árboles, zapatos cojos, utensilios
abandonados y revuelto todo
con las primeras Letras protestadas.




APOLOGÍA Y PETICIÓN

Y qué decir de nuestra madre España,
este país de todos los demonios
en donde el mal gobierno, la pobreza
no son, sin más, pobreza y mal gobierno
sino un estado místico del hombre,
la absolución final de nuestra historia?

De todas las historias de la Historia
sin duda la más triste es la de España,
porque termina mal. Como si el hombre,
harto ya de luchar con sus demonios,
decidiese encargarles el gobierno
y la administración de su pobreza.

Nuestra famosa inmemorial pobreza,
cuyo origen se pierde en las historias
que dicen que no es culpa del gobierno
sino terrible maldición de España,
triste precio pagado a los demonios
con hambre y con trabajo de sus hombres.

A menudo he pensado en esos hombres,
a menudo he pensado en la pobreza
de este país de todos los demonios.
Y a menudo he pensado en otra historia
distinta y menos simple, en otra España
en donde sí que importa un mal gobierno.

Quiero creer que nuestro mal gobierno
es un vulgar negocio de los hombres
y no una metafísica, que España
debe y puede salir de la pobreza,
que es tiempo aún para cambiar su historia
antes que se la lleven los demonios.

Porque quiero creer que no hay demonios.
Son hombres los que pagan al gobierno,
los empresarios de la falsa historia,
son hombres quienes han vendido al hombre,
los que le han convertido a la pobreza
y secuestrado la salud de España.

Pido que España expulse a esos demonios.
Que la pobreza suba hasta el gobierno.
Que sea el hombre el dueño de su historia.

(1961/62)

Jaime Gil de Biedma


Ambos poemas en Moralidades (1ª ed., Joaquín Mortiz, México, 1966)


"‘Otoño del 59, verano del 66’", de Juan Marsé (El País, 13-10-2017)


“Marsé y el poema difunto”, Manuel Jabois (Cadena Ser, 13-10-2017)





Hilario Camacho - Los cuatro luceros




LOS CUATRO LUCEROS

Mira cómo vienen los cuatro luceros
por la niña de los ojos negros;
ay, que ya se van los cuatro luceros,
sin la niña de los ojos negros.

Canciones que aún pueden decirse
libremente sin volver la mirada ,
canciones que aún pueden entonarse
libremente sin volver la cara.

Mira cómo vienen los cuatro luceros
por la niña de los ojos negros;
ay, que ya se van los cuatro luceros,
sin la niña de los ojos negros.

Canciones con las que los niños
juegan y juegan a la libertad,
juegan a una libertad que luego
les será robada al dejar de jugar.

Mira cómo vienen los cuatro luceros
por la niña de los ojos negros;
ay, que ya se van los cuatro luceros,
sin la niña de los ojos negros.

Ya se van cantando los cuatro luceros
canciones de niños, de tontos y de presos;
ya se van cantando los cuatro luceros,
se van a cantar con los hombres muertos.