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el sabroso oficio / del dulce mirar Góngora – ¡Qué difícil es entender la belleza! Günter Eich

martes, 31 de julio de 2018

Amélia Muge & Camerata Meiga - A Tentação



A TENTAÇÃO

Dizei minha mãe, contai-me
Como é feita a tentação?
Será pessoa malina
Que me espreite numa esquina
E me tome o coração?

Que cuidados, que canseiras,
Que portas aperreadas,
Ai senhora, que há la fora
Que nos tem aqui cercadas?

Que malas artes se escondem
Sob uma saia comprida?
O que há dentro de mim
Que me faz correr assim
Como que um perigo de vida?

Dizei minha mãe, contai-me,
Penas de amor o que são?
Se são penas de penar
Se nos levantam no ar
Como as garras de um falcão?

Se há um beco sem saída
Onde fica a sua entrada?
Ó mãe, contai-me um segredo
Que eu nem sei se tenho medo
Ou se tremo de apressada?

Poema de Hélia Correia

Canto: Amélia Muge • Contrabaixo: António Quintino • Piano: F. Raposo






Fotografía de Marta Bevacqua, Self portrait (in different pieces)




Con toda esta belleza nos vamos a descansar unos días. Boas férias para todos!




Unos versos de Ruy Belo



Unos versos del libro A Margem da Alegria (1974), del poeta portugues Ruy Belo (1933 - 1978):

quando o mínimo gesto era um gesto criador
e as coisas começavam e o mundo sempre em simples sons se descobria
quando ninguém ainda se movia na periferia da necessidade ou da conveniência
e havia gigantescas tílias que nos davam sombra em troca do cansaço
e a formosura das mulheres se notava até na violência do silêncio
junto às folhas recentes das amigas amoreiras perto de ameixieiras encarnadas






(Fotografía de Robert Grant: Tília, Jardim Botânico da Universidade de Coimbra)




Una foto de Mihaela Noroc en Lisboa



Fotografía de Mihaela Noroc, de su libro The Atlas of Beauty.


"Daniela is from Lisbon, Portugal and has Angolan origins. It’s lovely to walk on the streets of this gorgeous city and see so many diverse people living in harmony."


© Mihaela Noroc

Sérgio Godinho - A noite passada




A NOITE PASSADA

A noite passada acordei com o teu beijo
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas "sou gaivota e fui sereia"
ri-me de ti "então porque não voas?"
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste

A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falámos
e então dissemos
aqui vivemos muitos anos

A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"

Sérgio Godinho 

Mucho más que un cantante: poeta, compositor, actor, autor de obras de teatro, un auténtico "O Homem dos Sete Instrumentos". V. Wikipédia (en portugués, mas completa que la versión en español)


Canción del álbum Pre-Histórias, "Gravado em França em 1972 mas só editado em Portugal em 1973, num período em que Sérgio Godinho estava radicado no Canadá, o seu segundo álbum de originais é um trabalho de uma expressiva e insuspeita maturidade de onde saíram alguns dos seus clássicos mais unânimes e incontornáveis ("Barnabé", "A Noite Passada", "Pode Alguém Ser Quem Não É?", "O Homem dos Sete Instrumentos")."

(Wikipédia)




Eugénio de Andrade - Morandi: un ejemplo



MORANDI: UN EJEMPLO

Había anochecido. Yo hablaba de Morandi como ejemplo de un arte poética que, a pesar de la desmaterialización de los objetos y del aura de silencio que los inmovilizaba en su pureza, no se desvincula nunca de la realidad más común y palpitante, cuando alguien me interrumpió: ―Yo lo conocí, era huraño, vivía en Bolonia con dos hermanas, casi sólo salía de casa para ir de putas. ―Está bien, continué, si él necesitaba eso para pintar después como Vermeer y Chardin, benditas sean todas las putas del cielo y de la tierra. Amén.

Eugénio de Andrade



(Traducido por El transcriptor)



MORANDI: UM EXEMPLO

Anoitecera. Eu falava de Morandi como exemplo de uma arte poética que, apesar da desmaterialização dos objectos e da aura de silêncio que os imobilizava na sua pureza, não se desvincula nunca da realidade mais comum e fremente, quando alguém me interrompeu: ―Eu conheci-o, era intratável, vivia em Bolonha com duas irmãs, quase só saía de casa para ir às putas. ―Está bem, volvi eu, se ele precisava disso para depois pintar como Vermeer e Chardin, abençoadas sejam todas as putas do céu e da terra. Amén.

Vertentes do olhar (1987)



(Composto por poemas em prosa, «Vertentes do Olhar» é composto por poemas que abarcam mais de quarenta anos de produção poética do autor. )


lunes, 30 de julio de 2018

Jorge Aragão - Partido alto





PARTIDO ALTO

Diz que deu, diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ô nega
E se Deus não dá
Como é que vai ficar, ô nega
Diz que Deus diz que dá
E se Deus negar, ô nega
Eu vou me indignar e chega
Deus dará, Deus dará

Deus é um cara gozador, adora brincadeira
Pois pra me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro
Na barriga da miséria, eu nasci batuqueiro brasileiro
Eu sou do Rio de Janeiro

Diz que deu, diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ô nega
E se Deus não dá
Como é que vai ficar, ô nega
Diz que Deus diz que dá
E se Deus negar, ô nega
Eu vou me indignar e chega
Deus dará, Deus dará

Jesus Cristo inda me paga, um dia inda me explica
Como é que pôs no mundo esta pouca titica
Vou correr o mundo afora, dar uma canjica
Que é pra ver se alguém se embala ao ronco da cuíca
E aquele abraço pra quem fica

Diz que deu, diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ô nega
E se Deus não dá
Como é que vai ficar, ô nega
Diz que Deus diz que dá
E se Deus negar, ô nega
Eu vou me indignar e chega
Deus dará, Deus dará

Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio
Pele e osso simplesmente, quase sem recheio
Mas se alguém me desafia e bota a mãe no meio
Dou pernada a três por quatro e nem me despenteio
Que eu já tô de saco cheio

Diz que Deus dará
Não vou duvidar, ô nega
E se Deus não dá
Como é que vai ficar, ô nega
Diz que Deus diz que dá
E se Deus negar, ô nega
Eu vou me indignar e chega
Deus dará, Deus dará

Deus me deu mão de veludo pra fazer carícia
Deus me deu muitas saudades e muita preguiça
Deus me deu perna comprida e muita malícia
Pra correr atrás de bola e fugir da polícia
Um dia ainda sou notícia


Composición de Chico Buarque



Otras tres versiones en el blog:

"Cássia Eller - Partido alto"


"Marcos Valle + Caetano - Partido alto"



Clarice Lispector se cita a sí misma



Un epígrafe de la propia Clarice Lispector en su obra Um Sopro de Vida (Pulsações), publicada póstumamente en 1978.

Haverá um ano em que haverá um mês em que haverá uma semana em que haverá um dia em que haverá uma hora em que haverá um minuto em que haverá um segundo e dentro do segundo haverá o não-tempo sagrado da morte transfigurada.



"Um sopro de vida (pulsações) é romance póstumo. De acordo com Olga Borelli, o livro foi iniciado em 1974 e concluído apenas em 1977, ano da morte da escritora. Escrito, portanto, no mesmo período que A hora da estrela, a obra ficou parcialmente inacabada e sua publicação foi resultado de um criterioso trabalho por parte de Olga Borelli, uma vez que o texto se encontrava ainda desordenado em manuscritos. A respeito do livro, Clarice afirmava ter sido escrito em agonia, pois, nas palavras de Olga, nasceu de um impulso doloroso que ela não podia deter."

Juliana Gervason Defilippo




"Poco antes de morir, Clarice Lispector escribió un texto en el que recogía gran parte de sus reflexiones sobre la literatura y sobre la vida. Podríamos decir que Un soplo de vida es la última indagación literaria de la escritora brasileña, y posiblemente su meditación más exhaustiva sobre el acto de escribir y sus ramificaciones. Escrita en forma de diálogo casi místico entre un autor (trasunto de la propia Lispector) y su creación, una mujer llamada Ángela Pralini, la obra refleja la fascinación que supone crear personajes y mundos. Cuando Clarice Lispector falleció, su secretaria y gran amiga Olga Borelli dotó de estructura a los fragmentos que conforman este texto metaliterario, una obra póstuma que arroja luz sobre la trayectoria de Lispector."

(De la página de Siruela)




Dos fotos de Mihaela Noroc en Río



Fotografías de Mihaela Noroc, de su libro The Atlas of Beauty. Al fondo, el morro Dois Irmãos, al que Chico Buarque dedicó una canción.


© Mihaela Noroc







Gustavo Souza - Estrada branca



Ya escuchamos aquí a Gustavo Souza interpretando Nuages, de Django Reinhardt, y vuelve hoy con un tema de Antônio Carlos Jobim y Vinicius de Moraes, Estrada Branca, con arreglos de Paulo Bellinati.


Hay otras versiones en el blog: Morelenbaum² y Sakamoto, João Gilberto y Elizethe Cardoso, Luiza Borges y Nelson Faria, Félix Murnig (instrumental).






Olavo Bilac - Delirio




DELÍRIO

Pudor no cabe en el desnudo cuerpo,
yo en mi boca la suya comprimía,
y, su carne temblando, ella decía:
¡Más abajo, mi bien, quiero tu beso!

En la bruta inconsciencia del deseo
turbador, ya mi boca obedecía
y sus senos tan rígidos mordía,
dando su escalofrío un dulce arpegio.

Con suspiros de gozos infinitos
escuché de su boca casi un grito:
¡Más abajo, bien mío! – en frenesí.

Sobre su vientre yo posé la boca
¡Más abajo, bien mío! – dijo, loca.
Moralistas, ¡perdonad! Obedecí...

Olavo Bilac



(Versión de El transcriptor)



DELÍRIO

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
Mais abaixo, meu bem! num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
Mais abaixo, meu bem! disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...


Olavo Bilac (Río de Janeiro, 1865 - 1918) fue un poeta brasileño del movimiento Parnasianista.




(Fotografía de Gabriele Chiapparini)




domingo, 29 de julio de 2018

Pablo Guerrero - Pepe Rodríguez, el de la barba en flor




PEPE RODRÍGUEZ, EL DE LA BARBA EN FLOR

Pepe Rodríguez, el de la barba en flor,
cuando cae la tarde, coge el metro hasta Sol;
sube las escaleras, silbando una canción;
mirada en ristre, llega a la Plaza Mayor.

Pepe Rodríguez, el de la barba en flor,
es celta y árabe, ibero y español,
romántico y torero, guitarrero y cantor,
de mujeres y vinos muy buen catador.

Pepe Rodríguez, el de la barba en flor,
del "American Pie" es gran degustador;
Arco de Cuchilleros baja con tal primor
que extranjeras y "guiris" le demandan amor.

Pepe Rodríguez, el de la barba en flor,
sabe inglés que aprendió de noche en un mesón.
Llega, pues, y sonríe; un vino y ya ligó.
¡Oh mío Pepe, el de la barba en flor!

Les habla de Unamuno, de Goya y de Colón,
de Segovia y Toledo, de playas y de sol,
y de Pablo Guerrero, por aquello del folk.
Bueno, esto último me lo he inventado yo.

Pepe Rodríguez, el de la barba en flor,
lleva a sus "guiris" a un piso coquetón,
y, después de unas copas, lo que allí sucedió
ni lo cuentan las crónicas ni lo contaré yo.

Pepe Rodríguez, el de la barba en flor,
se porta como lo que es, un legítimo español,
y les regala un sombrero cordobés, cómo no!
y unas cuantas postales de Madrid con amor.

¡Oh mío Pepe, el de la barba en flor!
tus amigos te envidian por tu liberación,
vives como en Europa y salvas la tradición,
que los siglos te canten, como te canto yo.



(V. blog Dsolvidar)



Francisco Javier Irazoki - Visitantes



VISITANTES

Los días que viví se han unido y hablan en voz baja. Antes que yo empiece a escribir, ellos susurran: la poesía no es una delicadeza decorativa, sino una intensidad de la mirada que despierta a la conciencia.

Francisco Javier Irazoki


Orquesta de desaparecidos (Francisco Javier Irazoki). Hiperión, 2015.


Su página








Dos fotos más de Lara Alegre





Los retratos y autorretratos de Lara Alegre ya estuvieron aquí el 30 de abril de 2011 y el 28 de junio de 2016.


Su página actual.



Góngora - "La más bella niña..."



El romance escrito con versos hexasílabos, en lugar de los octosílabos habituales, se denomina romancillo. En este caso, además, Góngora utiliza un estribillo.


La más bella niña
de nuestro lugar,
hoy viuda y sola
y ayer por casar,
viendo que sus ojos
a la guerra van,
a su madre dice
que escucha su mal:
Dejadme llorar,
orillas del mar…

Pues me distes, madre,
en tan tierna edad
tan corto el placer
tan largo el penar,
y me cautivastes
de quien hoy se va
y lleva las llaves
de mi libertad,
Dejadme llorar,
orillas del mar…

En llorar conviertan
mis ojos de hoy más
el sabroso oficio
del dulce mirar,
pues que no se pueden
mejor ocupar
yéndose a la guerra
quien era mi paz,
Dejadme llorar,
orillas del mar…

No me pongáis freno
Ni queráis culpar;
que lo uno es justo,
lo otro por demás.
Si me queréis bien
no me hagáis mal;
harto peor fuera
morir y callar.
Dejadme llorar,
orillas del mar…

Dulce madre mía,
¿quién no llorará,
aunque tenga el pecho
como un pedernal,
y no dará voces
viendo marchitar
los más verdes años
de mi mocedad?
Dejadme llorar,
orillas del mar..

Váyanse las noches,
pues ido se han
los ojos que hacían
los míos velar;
váyanse, y no vean
tanta soledad
después que en mi lecho
sobra la mitad.
Dejadme llorar,
orillas del mar…

Luis de Góngora


(1580)



sábado, 28 de julio de 2018

Una foto de Mihaela Noroc en Milán



Caterina, bailarina, y su madre, Barbara, en Milán. Fotografía de Mihaela Noroc, de  su libro The Atlas of Beauty.

"I met this mother and her daughter last year in Milan, Italy. Caterina began dancing when she was three years old. Her mother, Barbara, was supportive, but knew that there were few opportunities to study ballet in their small town so, although her husband and son had to remain home, she moved with Caterina to Milan, where her daughter could fulfill her dream and attend one of the most esteemed ballet schools in the world. Art requires huge sacrifices, but imagine how Barbara feels today seeing Caterina dancing on the celebrated stage of La Scala."

© Mihaela Noroc





Dos obras de Antonio Donghi

Autorretrato (1942)


El malabarista (1936)




Antonio Donghi (Roma, 1897 - 1963)






Paolo Conte - Sandwich man




SANDWICH MAN

Se mi dici che tu mi ami non ci credo però,
è un peccato se non mi ami, questo almeno lo so
sandwich man, sandwich man
cartellone di cinema che passeggia per la città
sandwich man,
sono io, sono io caricato di immagini
che mi dan le vertigini, sono io
sento la mia vita che sta diventando un film
sì, ma l'ho già visto e non mi piace questo film...
c'era musica e pianto e lui diceva: "è colpa mia"
c'era sogno e possesso e lei diceva: "è colpa tua"
voglio gli indiani, non voglio l'amor!

Ha parlato lui prima e adesso lei parla per due
"io, non sono una cima"...forse sì, parole sue...
voglio gli indiani, non voglio l'amor!

"che peccato che non mi ami", che peccato però...
stanno lì mani nella mani senza dire di no...
parli tu, parlo io...trascinando per la città
le parole del cinema...parlo io...
parla tu, parla tu...tanto io mi nascondo qui
in un sandwich della reclame...parlo io...
la domanda è rosso fuoco e la risposta è blu
la domanda è rosso fuoco e la risposta è blu
sandwich man, sandwich man...
sandwich man..

Paolo Conte (Elegia 2004)


Giorgio Caproni - Eres el recuerdo estivo




ERES EL RECUERDO ESTIVO

Eres el recuerdo estivo
de la casa sorprendida en calma
en aromáticas tardes,
cuando el vencejo roza
el canalón, y cae
extraño en la frescura de un sonido
de sonajas sin dueño
de yeguas sudando.

Giorgio Caproni


Poesía escogida (Giorgio Caproni), edición de Juan Carlos Reche, traducción de Juan Carlos Reche y Juan Antonio Bernier, Valencia, Pre-Textos, 2012.


Sei ricordo d'estate

Sei ricordo d’estate
nella casa sorpresa quieta
presso aromatiche sere,
quando il rondone rade
il canale, e cade
strano nella frescura un suono
da sonagliere randagie
di cavalle in sudore.

Come un'allegoria (1932-35)



Otros dos poemas: "Nota dejada antes de no irse" y "Recuerdo"



(Fotografía de Robert Doisneau)



viernes, 27 de julio de 2018

Amancio Prada y María Dolores Pradera - El mundo que yo no viva




El mundo que yo no viva
lo pensé como cosa extraña,
como arca de maravilla.
Ay de mi vida

Allí ¿sonará la lluvia
junto al fuego las noches frías?
¿Tendrá Agosto en el río barcas?
Y tú ¿la gentil sonrisa?

¿Brillará en el papel que siembro
la negra flor de la tinta?
Ay de mi vida

¿Será posible que vengan
los amigos y que "Era" digan
"un hombre, y te quiso mucho"
y "Mucho" llorando digas?

Es el mundo que no conozco,
Atlántida sumergida.
Ay de mi vida.

Allí las palmeras echan
esmeraldas. Allí las crías
del delfín esmeraldas pacen.
Allí no hay noche ni día:
cuando ordeñan a los rebaños,
de púrpura el mar se agría,
Ay de mi vida.

Más limpio que agua de oro
es el mundo que yo no viva:
no hay naves de arar espumas
ni arado para las viñas;
el gran árbol le da su fruto
al que el nombre del fruto diga.
Ay de mi vida.

Ese mundo no es el mío:
es el tuyo: el que en tus pupilas
hundido está desde siempre
y no lo alcanza mi vista.
A ese mundo quisiera entrar,
antes que suene la hora
- ay - de mi vida.

Agustín García Calvo



Otra versión, "Amancio y Chico cantan una de Agustín"



Dos sonetos de Agustín García Calvo





En unas tarjetas de la taberna sevillana La carbonería.


Isabel Escudero - "A veces me despierto..."




A veces me despierto
soñando con una calle
que no la conoce nadie.

Isabel Escudero


Coser y cantar (Isabel Escudero). Lucina, Zamora. Tercera edición, corregida, diciembre de 1994.




(Fotografía de Nacho Rojo, Calle de la judería, Zamora)



jueves, 26 de julio de 2018

Más de 'You Were Never Lovelier'

Rita Hayworth camera negative from You Were Never Lovelier by George Hurrell


















(Fotografías retiradas de Alice Japan)


Rita Hayworth y Fred Astaire - I'm Old Fashioned




Escena de You Were Never Lovelier (1942); en nuestro país, Bailando nace el amor.


"I'm Old Fashioned (Getz & Baker + Coltrane)"







Una foto de Bengisu Kaya




Desde Bucarest, Bengisu Kaya.


Una foto de Francis Kokoroko



Fotografía de Francis Kokoroko en su blog Accra Photo Journal.





Oliverio Girondo - "No se me importa un pito que las mujeres..."



No se me importa un pito que las mujeres tengan los senos como magnolias o como pasas de higo; un cutis de durazno o de papel de lija. Le doy una importancia igual a cero, al hecho de que amanezcan con un aliento afrodisíaco o con un aliento insecticida. Soy perfectamente capaz de soportarles una nariz que sacaría el primer premio en una exposición de zanahorias; ¡pero eso sí! —y en esto soy irreductible— no les perdono, bajo ningún pretexto, que no sepan volar. Si no saben volar ¡pierden el tiempo las que pretendan seducirme!

Ésta fue —y no otra— la razón de que me enamorase, tan locamente, de María Luisa.

¿Qué me importaban sus labios por entregas y sus encelos sulfurosos? ¿Qué me importaban sus extremidades de palmípedo y sus miradas de pronóstico reservado?

¡María Luisa era una verdadera pluma!

Desde el amanecer volaba del dormitorio a la cocina, volaba del comedor a la despensa. Volando me preparaba el baño, la camisa. Volando realizaba sus compras, sus quehaceres.

¡Con qué impaciencia yo esperaba que volviese, volando, de algún paseo por los alrededores! Allí lejos, perdido entre las nubes, un puntito rosado. “¡María Luisa! ¡María Luisa!”... y a los pocos segundos, ya me abrazaba con sus piernas de pluma, para llevarme, volando, a cualquier parte.

Durante kilómetros de silencio planeábamos una caricia que nos aproximaba al paraíso; durante horas enteras nos anidábamos en una nube, como dos ángeles, y de repente, en tirabuzón, en hoja muerta, el aterrizaje forzoso de un espasmo.

¡Qué delicia la de tener una mujer tan ligera..., aunque nos haga ver, de vez en cuando, las estrellas! ¡Qué voluptuosidad la de pasarse los días entre las nubes la de pasarse las noches de un solo vuelo!

Después de conocer una mujer etérea, ¿puede brindarnos alguna clase de atractivos una mujer terrestre? ¿Verdad que no hay una diferencia sustancial entre vivir con una vaca o con una mujer que tenga las nalgas a setenta y ocho centímetros del suelo?

Yo, por lo menos, soy incapaz de comprender la seducción de una mujer pedestre, y por más empeño que ponga en concebirlo, no me es posible ni tan siquiera imaginar que pueda hacerse el amor más que volando.

Oliverio Girondo


Espantapájaros (Al alcance de todos), 1932




(Fotografía de Diane Arbus)



miércoles, 25 de julio de 2018

Emmylou Harris - Gliding Bird

Retrato de Emmylou Harris por David Gahr (1968)






"Gliding Bird es el primer álbum de estudio de la cantante estadounidense Emmylou Harris, publicado por la compañía discográfica Jubilee Records en 1969. Su nombre aparece dividido en dos palabras («Emmy Lou») en la portada."

(Wikipedia)




Kate Moss, vista por Mario Sorrenti




Mario Sorrenti - Kate Moss (unpublished)





Ludwig Hohlwein - El cartel (1913)








Una foto de Seymour Templar




Una de las fotografías de Seymour Templar en su galería de Flickr. La belleza que pasa y se aleja...






José Ángel Valente - Memoria





MEMORIA

Esa mujer que lloraba en mi cuarto
¿era el recuerdo de un poema
o de uno de los días de mi vida?

José Ángel Valente


De Mandorla (1982)



Leído en El rincón del distraído, de José Andrés Rojo




(Fotografía de Erin Bobbitt, There Once was a  Little Princess)




martes, 24 de julio de 2018

Una foto de Mihaela Noroc en Atenas



Se llama Cristina y es de Atenas. La fotografía es de Mihaela Noroc, y se encuentra en su libro The Atlas of Beauty.


© Mihaela Noroc





Una foto de Babis Kougemitros




Babis Kougemitros, from the [ Periplous ] series







(while at sea)


Στέλιος Καζαντζίδης - Ξέρω νεκρούς | Stelios Kazantzidis - Kserw nekrous





Otras dos canciones del actor y cantante griego Stelios Kazantzidis (1931 - 2001) en el blog: "Exo Dertia Kai Kaimi" y "Tragoudo"


"Uno de los cantantes más prominentes de la música folclórica tradicional griega y favorito de la diáspora griega, colaboró con muchos de los principales compositores de Grecia.

Kazantzidis fue todo un icono en Israel, siendo muchas de sus canciones traducidas al hebreo y versionadas por artistas del país. Además, también cantó en turco."

(Wikipedia)






Yorgos Seferis - Balance




BALANCE

He viajado, me he cansado y escrito poco
pero pensé mucho en el regreso, cuarenta años.
El hombre en todas las edades es un niño:
la ternura y la brutalidad de la cuna;
a lo demás le pone límite la mar, como a la orilla,
a nuestro abrazo y al eco de nuestra voz.

                                                                  1954 ?

Yorgos Seferis


De Poesía completa,  Alianza Editorial, Madrid, 1986
Versión de Pedro Bádenas de la Peña

(A media voz)




Otros poemas de Seferis en Cómo cantaba mayo... 




lunes, 23 de julio de 2018

Una copia de Afrodita





Copia de Afrodita atribuida a Doidalsas de Bitinia (siglo III a. C.). Fotografía de Schumata.





Tete Montoliu - Jo vull que m'acariciis











(Fotografía: © Kees Muizelaar)






Una foto de Yoshiyuki Iwase







Una foto de Lou Bernstein (1957)











Carmen Martín Gaite - El cuarto de atrás



1. El hombre descalzo

...Y, sin embargo, yo juraría que la postura era la misma, creo que siempre he dormido así, con el brazo derecho debajo de la almohada y el cuerpo levemente apoyado contra ese flanco, las piernas buscando la juntura por donde se remete la sábana. También si cierro los ojos —y acabo cerrándolos como último y rutinario recurso—, me visita una antigua aparición inalterable: un desfile de estrellas con cara de payaso que ascienden a tumbos de globo escapado y se ríen con mueca fija, en zigzag, una detrás de otra, como volutas de humo que se hace progresivamente más espeso; son tantas que dentro de poco no cabrán y tendrán que bajar a buscar desahogo en el cauce de mi sangre, y entonces serán pétalos que se lleva el río; por ahora suben aglomeradamente; veo el rostro minúsculo dibujado en el centro de cada una de ellas como un hueso de guinda rodeado de lentejuelas. Pero lo que jamás cambia es la melodía que armoniza el ascenso, melodía que no suena pero marca el son, un silencio especial que, de serlo tan densamente, cuenta más que si se oyera; eso era entonces también lo más típico, reconocía aquel silencio raro como el preludio de algo que iba a pasar, respiraba despacio, me sentía las vísceras latiendo, los oídos zumbando y la sangre encerrada; de un momento a otro —¿por dónde?—, aquella muchedumbre ascendente caería a engrosar el invisible caudal interior como una droga intravenosa, capaz de alterar todas las visiones. Y estaba alerta, a la expectativa de la prodigiosa mudanza, tan fulminante que ninguna noche lograba atrapar el instante de su irrupción furtiva, acechándolo inmóvil, con anhelo y temor, igual que ahora.

Pero miento, igual no, era otro el matiz de la expectativa. He dicho «anhelo y temor» por decir algo, tanteando a ciegas, y cuando se dispara así, nunca se da en el blanco; las palabras son para la luz, de noche se fugan, aunque el ardor de la persecución sea más febril y compulsivo a oscuras, pero también, por eso, más baldío. Pretender al mismo tiempo entender y soñar: ahí está la condena de mis noches. Yo, entonces, no quería entender nada; veía el enjambre de estrellas subiendo, sentía el zumbido del silencio, y el tacto de la sábana, me abrazaba a la almohada y me quedaba quieta, pero ¡qué iba a ser igual, esperaba la transformación sumida en una impaciencia placentera, como antes de entrar en el circo, cuando mis padres estaban sacando las entradas y me decían: «no te pierdas que hay mucho barullo», y yo quieta allí, entre el barullo, mirando fascinada los carteles donde se anunciaba lo que dentro de poco iba a ver; algo de temor sí, porque podían mirarme los leones o caerse el trapecista de lo más alto, pero también avidez y audacia y sobre todo, un sacarle gusto a aquella espera, vivirla a sabiendas de que lo mejor está siempre en esperar, desde pequeña he creído eso, hasta hace poco. Daría lo que fuera por revivir aquella sensación, mi alma al diablo, sólo volviéndola a probar, siquiera unos minutos, podría entender las diferencias con esta desazón desde la que ahora intento convocarla, vana convocatoria, las palabras bailan y se me alejan, es como empeñarse en leer sin gafas la letra menuda.

Carmen Martín Gaite


El cuarto de atrás (1978). Con esta novela, Martín Gaite se convirtió en la primera escritora el recibir el Premio Nacional de Literatura, el culal volvería a recibir en 1994 por el conjunto de su obra.

(Wikipedia)




domingo, 22 de julio de 2018

Una foto de Brassaï




Brassaï, Niños en los Jardines de Luxemburgo, París, 1930






Claudio Rodríguez - La mañana del búho




Cómo cantaba mayo en la noche de enero...


LA MAÑANA DEL BÚHO

Hay algunas mañanas
que lo mejor es no salir al aire.
La semilla desnuda, aquí, en el centro
de la pupila en plena
rotación,
entre tanta blancura repentina,
entre la intimidad de esta ola sin ventanas,
cerca de la pared del sueño, entre altamar
y la baja marea,
¿hacia dónde me lleva?
¡Si lo que veo es lo invisible, es pura
iluminación;
es el origen del presentimiento!
Junto a este otoño de madera y de ecos
de olvido y de abedul,
con la rapacidad del ala lenta
ladeando y girando
a medio vuelo avaro de la noche,
y del pico sin cera, sin leche y sin aceite,
y del plumaje en humo, la espuma que suaviza
la saliva, la sal y el escremento
del nido… Hay un sonido
de altura, moldeado
en figuras, en vaho
de eucalipto. No veo, no poseo.
¡Y esa alondra, ese pámpano
tan inocentes en la viña! Nunca…
Cuánto misterio y cuánta cobardía.
Y la.. captura de la liebre, el nácar
de amanecida, y la melodía
en pleamar naranja de la contemplación.

¿Y todo es invisible? iSi está claro
este momento traspasado del alba!
este momento que no veré nunca.
Esta mañana que no verá nadie.
Esta mañana que me va acercando
al capitel y al nido.
Cómo cantaba mayo en la noche de enero.
Entre el relieve y el cincel, la lima
y el buril hay mano de obra
y secreto fecundo en el escorzo
de la oración y de la redención, en la temperatura de la piedra,
en el granito, el cuarzo,
en el latido en llama
con una ciencia de erosión pulida,
de quietud de ola en vilo, de aventura,
entre refugio y soledad,
ya con destino, lejos
de un pueblo envilecido. Ahí las escenas
de historia, teología, fauna, mitos
y la ley de la piedra, poro a poro,
su cicatriz en cada veta ocre
en cristalina orientación sin lluvia
hacia el viento del este.
No hay espacio ni tiempo; el sacramento
de la materia

¿Y qué voy a saber si a lo mejor mañana
es nuevo día?
Cuánta presencia que es renacimiento,
y el resplandor de la renuncia, el ancla
del piadoso naufragio,
y la ilusión de libertad, el vuelo…
Adivinanza, casi pensamiento
junto al hondo rocía
del polvo de la luz, del misterio que alumbra
este aire seguro,
esta salud de la madera nueva
y llega germinando
hasta el polen sin prisa, bien tallado
en la jara quemada.
Es la gracia, es la gracia, la visión,
el color del oráculo del sueño,
la corrosión, el hueco
de la inocencia, de lo que se graba
en el centro del alma, el equilibrio
de tanta pesadilla,
la nerviación de la hoja de laurel,
la locura de la contemplación
y cuántas veces maldición, niñez
entrando en cada vena con sorpresa.
¡El manantial temprano y el lucero
de la mañana!
Si, placer, lujuria, ruin amparo
de la desilusión, el roce
de mis alas pesadas, tan acariciadoras,
muy entreabiertas, cuando
ya no hay huída ni aún conocimiento
antes de que ahora llegue
el arrebol interminable. iDía
que nunca será mío y que ahora entra
hasta en la flor de la carcoma, hasta
en la rama débil tras la poda seca
de mi aventura hacia la oscuridad!
¿viviré el movimiento, las imágenes
nunca en reposo, como estas olas sin nido;
ya sin mañana y sin ocaso siempre?
¿y si la primavera es verdadera?


Casi una leyenda (1991)


Claudio Rodríguez (Zamora, 30 de enero de 1934 - Madrid, 22 de julio de 1999)