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el sabroso oficio / del dulce mirar Góngora – ¡Qué difícil es entender la belleza! Günter Eich

viernes, 20 de septiembre de 2019

Olegário Mariano - 'Dona Boa'



DONA BOA

Dona Boa sai à rua.
Faz um dia de garoa…
Que toilette! Quase nua
         Dona Boa…

Pisa de leve… tique-taque…
Às vezes, nem pisa, voa…
Que assombro! Sempre em destaque
        Dona Boa…

No Flamengo. Quando chega
e o chambre desabotoa,
para o trânsito. É uma grega
        Dona Boa.

Espreguiça-se, arredonda
o corpo e se aperfeiçoa.
E vai calmamente na onda
        Dona Boa…

E sobe e desce… No arranco
da vaga que se amontoa,
levanta um braço. Que branco
        o braço de Dona Boa!

Toma chá no Renaissance,
com torradas de Lisboa…
Tão boa para um romance,
        tão Boa…

No cinema. A orquestra louca
num rag-time se esboroa…
Ela abre um sorriso… Que boca
        tem Dona Boa!

No Palace. O Cipriano
fidalgamente abordou-a
e apresentou-nos: «Fulano
        e Dona Boa…»

Fiquei frio. Deu-me a breve
mão; o meu lábio beijou-a.
Como é delicioso e leve
        o cheiro de Dona Boa!

Disse eu logo um galanteio…
Riu num riso que atraiçoa.
Caía um lírio do seio
        de Dona Boa.

Olegário Mariano


"Olegário Mariano Carneiro da Cunha (Recife, 24 de março de 1889 — Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1958) foi um poeta, político e diplomata brasileiro."



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